50 pessoas foram mortas e outras 50 ficaram feridas. Poderia ter sido eu, meu noivo, meus melhores amigos, minhas melhores amigas, meus companheiros de balada, meus companheiros de luta, meus companheiros de exclusão social, meus companheiros de humilhação diária, meus companheiros de sonhos.

Eles morreram no maior massacre a tiros da história dos Estados Unidos e ninguém diz nada. Se eu tivesse morrido no maior massacre a tiros da história dos Estados Unidos, ninguém diria nada, porque ainda acreditam que minha vida vale menos, que a vida dos meus companheiros vale menos.

Se eu tivesse morrido em Orlando, ou tivesse sido um dos 318 LGBTs mortos só em 2015 vítimas de homofobia, minha mãe iria chorar, meus amigos mais próximos também, minha família esqueceria por alguns minutos que eu sou gay e se sentiriam impotentes, e meu pai choraria por não ter tido uma relação comigo nos últimos anos, desde que saí de casa para viver um amor com outro homem.

Meus colegas de trabalho iriam dizer que eu “fui embora” muito novo, alguns soltariam que às vezes eu nem parecia viado, talvez alguns lembrariam que eu, mesmo bicha, até que era “gente boa”. Mas além deles, se eu tivesse sido morto sem nenhum motivo, apenas por estar em um ambiente entre meus iguais, como os 50 de Orlando, pode ser que alguém se revoltasse e se dispusesse a gritar contra a homofobia.

Mas eu não queria que eles gritassem depois, sem mim, se eu estivesse entre os 50 mortos. Eu queria que eles gritassem agora, comigo, que estou vivo, sangrando pelas mortes, mas ainda vivo e disposto, mais do que nunca, a gritar que a minha vida vale a pena. Que as vidas de LGBTs valem a pena.

Eu espero que todas as pessoas que eu conheço nessa vida gritem comigo, e que não esperem o dia que alguém achar que eu não mereça viver e resolva tirar a minha vida porque acredita que é errado me ver de mãos dadas com meu noivo, ou que tenha uma religião que prega a abominação da minha vida, da pessoa que eu sou, e da forma com que eu expresso o meu amor.

A homofobia mata, e quem não se coloca contra ela, se torna conivente.

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