Há pouco menos de um mês o projeto e a campanha #NossoAmorExiste nascia com o objetivo de dar visibilidade aos casais e as relações homoafetivas, humanizar e debater a importância da demonstração de afeto em público.

E de lá pra cá, tem sido lindo ver a comunidade recebendo tantos desejos de felicidade em meio a tantas palavras de ódio que recebemos diariamente. Como se a cada curtida e comentário fosse a respiração para recuperar o fôlego de um nadador antes da próxima braçada.

No último domingo, dia de estreia do documentário Nosso Amor Existe, e também dia dos namorados e das namoradas, a notícia sobre o massacre contra a comunidade LGBT em Orlando nos deixou sem ar. Por minutos ficamos sufocados e pensei: poderia ter sido nós dois.

Hoje vi uma noticia de um casal de lésbicas que foram ameaçadas e agredidas por um médico em um posto de combustível por simplesmente expressar afeto em público. Ele, em meio a xingamentos, disse algo que tem muito a ver com tudo isso que construímos: “…vocês vão lutar contra? O dia que você pular num rio, você nada contra a correnteza”.

Essa correnteza nós conhecemos. Eu nadei nela aos meus 17 anos quando a igreja, família, escola e amigos me disseram que não iria conseguir nadar nela. E estou aqui, ainda nadando!

Esse rio já foi bem mais feroz

Sempre foi dito pra gente que o direito do nosso amor e desejo  é  como nadar na correnteza. Também foi dito pra  Oscar Wilde, Audre Lorde, Lili Elbe, el Martin & Phyllis Lyon, Harvey Milk e milhares de outros e outras antes de nós.

Mas vamos dar um recado para esses que não nos conhecem: continuaremos nadando! E enquanto houver forças, continuaremos. E se um dia, nosso corpo for levado por esse rio, nosso ideal de calmaria, para mim e meus companheiros e companheiras continuará.

#NossoAmorExiste

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