A história de Robina Asti é daquelas de emocionar mesmo! Hoje aos 95 anos, ela, que já foi ex-piloto de avião, atualmente é ativista e espalha bom humor por onde passa. “Todas as manhãs em que eu puder abrir os olhos, é um bom dia”, afirma.

Recentemente foi entrevistada pelo site Refinery29, onde contou que não sabe como está viva até hoje. Nascida em 1921, passou grande parte de sua vida em Nova York, nos EUA. Durante a 2ª Guerra Mundial, se alistou na Marinha e chegou a ser atingida por um avião japonês.

Casou com uma mulher e teve duas filhas, até se reconhecer e se assumir como mulher trans em 1976. Na década de 70, enfrentou inúmeras dificuldades e discriminação no trabalho, além de relação tensa com a primeira filha. Mas encontrou conforto ao conhecer o “amor de sua vida”, o artista plástico Norwood Patton.

“Ele era um homem bom. Sempre fazia o café da manhã, almoço e jantar e tomava Martini às 5h”, declara ela sorrindo. “Quando ele estava no hospital, eu levava escondido uma garrafa de Coca-Cola cheia de martinis misturados para ele”.

Robina contou que conseguiu identificar sua transgeneridade ocorreu logo após a morte do segundo filho do primeiro casamento. Ela conversou com a esposa, Eva, que decidiu ajudá-la na busca por sua real identidade, desde que aceitasse ter outro filho.

“Ela ficou chocada, é claro, mas concordou. Ela era uma boa mulher, e é ainda hoje. Então me ajudou e se tornou o meu modelo. Foi gradual”, declara Robina, que passou a tomar hormônios femininos e passou pela cirurgia de redesignação sexual.

Robina afirma que na época não utilizavam os termos transexualidade e transgeneridade como atualmente e que atribui esses adjetivos ao que ela era antes de passar pela cirurgia, não agora. “Eu sou uma mulher e não vou pensar sobre mim de outra maneira que não seja como mulher”, defende.

Pouco depois, elas se separaram e Robina passou a ser um dona de casa, que se divertia tocado piano em bares da cidade. E um deles foi na 66th Street que conheceu o marido, Norwood. Eles se encantaram por meio da arte.

“Eu sabia que tinha que lhe falar (sobre ser transexual) e eu disse. Ele ficou tão chateado que me deixou. Uma semana depois ele voltou e afirmou que não se importava. Ele foi o meu amor até o resto de sua vida. Foi um relacionamento delicioso, em que nós fazíamos coisas divertidas juntos, como compras em um sábado de manhã”, lembra.

Os dois se casaram em 2004, em um antigo hangar de aviões, e em 2012, Norwood veio a falecer. Quatro anos depois, a casa de Robina ainda é repleta de retratados dela e de outras imagens pintadas por Norwood.

Ativismo

Depois da morte de Norwood, Robina levou um susto ao saber que não poderia receber o seguro como viúva porque a Administração de Segurança Social havia avaliado que ela não era legalmente mulher no momento do casamento.

“Pensei, tenho que fazer algo sobre isso, pois não está certo. Embora eu não precisasse do dinheiro, pensei que poderia haver outras pessoas como eu e que poderiam precisar dele para viver. Suponhamos que isso seja negado para elas, é catastrófico”, afirma.

mulher trans

Em busca por seus direitos, ela conquistou o seguro e logo depois decidiu ser voluntária e defensora dos direitos transgêneros e de uma ong LGBT, a Lambda Legalize, que a ajudou.

“Eles me abriram os braços e no Dia dos Namorados eu olhei para a minha conta bancária e que os cheques da Segurança Social caíram. Olhei para fora e disse: “Obrigado Nowwood”.

Robina se dedica também à luta por direitos humanos e a ajudar jovens trans por meio de sua história. “Esteja preparado para a rejeição, mas saiba que ela não é permanente. Certamente a família e amigos vão dizer que é permanente, mas ela não é. Eles ainda não sabem que você é a mesma pessoa que eles amavam quando era mais jovem. E eles eventualmente podem entendê-la”, afirma.

“Não perca a paciência, não importa o que eles façam. Se te expulsarem, vá, mas não feche a porta. Envie um cartão de aniversário para a sua mãe, envie um cartão para o seu pai, lembre-se do Natal e do Ano Novo. E mesmo que você saiba que eles jogaram fora ou que foi enviado de volta, eles sabem que você enviou-lhes um cartão”.

E revela que demorou mais de 20 anos para que a primeira filha do casamento com Eva a aceitasse. “Ficamos afastada por vinte anos ou até mesmo mais tempo. Acho que ela percebeu que tinha que resolver esse problema de aceitação comigo e, então, veio me ver. Nós conversamos e agora estamos bastante próximas. Isso está sendo simplesmente delicioso”.

“É preciso ser humilde. É lindo quando as pessoas param de se vangloriar e se tornam humildes”, finaliza.

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