Na Hollywood dos anos 40, Scotty Bowers, então frentista de um posto de gasolina começou a encantar homens e mulheres. Walter Pidgeon, que fez personagens memoráveis, como o sr. Curie, abordou-o: “O que vai fazer no restante do dia?” Nada, claro, pois o jovem — “simpático, sexualmente bem dotado”, bissexual definido — não tinha preconceito. Saíram e foram felizes.

A história não contada desse universo sexual cinematográfico é revelada no livro Servicio Completo — La Secreta Vida Sexual de las Estrellas de Hollywood, escrito por Bowers em parceria com o produtor e roteirista Lionel Friedberg, que o entrevistou exaustivamente.

Ele contou que, durante 40 décadas — de meados dos 1940 aos anos 1980, os da “Hol­lywood Babilônia” —, serviu sexualmente a homens e mulheres. Ele aceitou contar tudo, sem limitações. A modalidade sexual mais frequente dele e dos parceiros era a felação. Charles Laughton apreciava coprofilia. Tyrone Power também não era ortodoxo.

Além de ficar com esses homens e mulheres, com sua bissexualidade avassaladora, arranjava parceiros e parceiras para atores e diretores famosos de Hollywood. Mesmo casado com uma mulher, Bowers diz que “aceitava qualquer negócio”. Ele manteve casos ou transas com Vivien Leigh e Edith Piaf, mas, conta que fazia mais sucesso com os gays, e que segundo suas próprias estatísticas, 60% de seus clientes eram ‘gays ou lésbicas.

Entre os homossexuais que foram parceiros ou clientes de Bowers estavam Noël Coward, Cole Porter (sua preferência era o sexo oral), George Cukor (sua paixão também era sexo oral), Vincent Price, Ramón Novarro e Raymond Burr.

Novarro, latin lover do cinema mudo, chamava sêmen de mel, segundo Bowers, e como cafetão, arranjou mulheres para o milionário maníaco Howard Hughes e para Harold Lloyd. Já Errol Flynn e William Holden saíam com mulheres lindas, mas, como estavam sempre bêbados, às vezes não conseguiam completar o ato sexual. Bowers relata que às vezes tinha de substitui-los, para não desagradar as mulheres.

O elegantíssimo Cary Grant e o rei do faroeste Randolph Scott (foto de capa) eram mesmo “casados”, garante Bowers. Este não raro participava da vida sexual do casal. Os duques de Wind­sor encantavam-se com Grant, Scott e Bowers. Edgar Hoover, o discreto diretor do FBI por quase 50 anos, não sai incólume. Era gay.

Servicio Completo — La Secreta Vida Sexual de las Estrellas de Hollywood

O autor cita Katharine Hepburn, como “lésbica insaciável” e afirma ter lhe apresentar 150 mulheres, e diz que seu “amor eterno” por Spencer Tracy era uma fachada criada pelos produtores de Hollywood. “Tão falso quanto a imagem de garanhão criada para Rock Hudson.”

Os atores James Dean e Montgomery Cliff, que tiveram parceiros gays, não agradavam Bowers. Dean mantinha casos com homens e mulheres, e seria “mal educado e desagradável”. Monty Cliff, amigo íntimo de Elizabeth Taylor — sem nunca tocar-lhe num fio de cabelo —, era, nas palavras de Bowers, uma “louca temperamental e mal humorada” e “tinha uma assombrosa língua viperina”. Bowers diz que Dean e Monty olhavam as pessoas “do alto”, sem respeitá-las.

Sobre quem era o ator ou diretor mais promíscuo de Hollywood, ele aponto que era difícil dizer, pois os atores e diretores eram muito promíscuos, mas assinala que, em termos de promiscuidade, Rock Hudson era hors concours. Hudson, que morreu em decorrência da Aids, “recorria às ruas todas as noites” e levava para a cama até “vagabundos”. Ele levava jovens de toda a cidade, até de madrugada, para sua casa. Era um “sexo mecânico, sem erotismo”. A regra de Hudson era quanto mais, melhor, não importando a “qualidade”.

Bowers fazia tanto sexo que chamou a atenção de Alfred Kinsey, o homem que estudou a sexualidade americana em detalhes. Bowers diz que, quando falavam de sexo, sobretudo sobre a homossexualidade feminina, Kinsey e seus assistentes mostravam que eram “ingênuos” e “es­treitos”.

O que eles sabiam sobre sexo não era aquilo que de fato ocorria nas camas. “Para passar da teoria à prática, e seguindo o conselho de Somerset Maugham, organizou uma orgia para Kinsey no hotel Beverly Hills. ‘Era um espetáculo de sexo cru, aberto, totalmente desatado. Em alguns momentos me pegava rindo ao observar sua cara’.”

Bowers, que tem 90 anos, afirma que seu “serviço completo” fez muita gente feliz.

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