O mundo está olhando para o Brasil e para a violência à população LGBT. O país que mais mata transexuais se tornou também, o lugar mais perigoso no planeta para lésbicas, gays e bissexuais. Com a imagem de país aberto e tolerante, nação livre para a expressão da sexualidade, principalmente pelo carnaval, e tendo a maior Parada LGBT do mundo, na cidade de São Paulo, o Brasil mata, nutre a homofobia, e não assume que ela existe.

As pautas da comunidade são tratadas de forma displicente, como piada, e midiatizada por políticos religiosos que se angariam desses momentos para se promoverem e popularizarem o discurso de intolerância e ódio.

As estatísticas são as mais aterradoras, quase 1600 pessoas morrem em ataques motivados por ódio nos últimos quatro anos e meio, segundo o Grupo Gay da Bahia, que monitora as mortes por meio de notícias, já que o crime não é tipificado no país. Mas esse número pode ser muito maior, uma vez que os registros não são conclusivos nas delegacias que relativizam as mortes de pessoas LGBTs como tentativas de homicídio, agressões e latrocínio.

A grande mídia é a também parceira dessa manutenção e propagação do discurso da negação da homofobia. As notícias de mortes relacionadas à população LGBT quase não são divulgadas, e quando são, enfatizam os crimes passionais em sua maioria, e tendem a desvincular a motivação de ódio.

A bancada evangélica na política vem crescendo e já representa 60 deputados para 513 cadeiras na Câmara dos deputados, numero duas vezes maior do que em 2010. Os evangélicos correspondem a quase um quarto da população do Brasil de 200 milhões de pessoas, e seus líderes atingem uma grande massa por meio de centenas de emissoras de rádio e televisão compradas nos últimos anos.

Alguns especialistas dizem que as políticas liberais dos últimos governos avançaram além dos costumes sociais e tradicionais e que isso reflete na resistência dos grupos conservadores, ao verem seus privilégios sendo questionados.

Movimentos de enfrentamento e luta contra o machismo e a homofobia têm crescido apoiados por outras minorias, como negros e mulheres. No entanto a polarização política estabelecida no país deferiu todas as pautas de direitos humanos como pautas de esquerda, o que reflete na falta de leis que protegem a população LGBT.

No dia 12 de junho, dia do atentado na boate Pulse, em Orlando (Flórida), o documentário Nosso Amor Existe do fotógrafo Ricardo Puppe e do jornalista Theo Borges, era lançado no Brasil, contando a história de casais LGBTs abordando as questões de como viver um relacionamento homoafetivo frente ao preconceito, levantando questões como o medo e o retrato político atual.

O documentário faz parte do projeto homônimo que busca abrir um espaço para essas relações através das histórias dos casais LGBTs, humanizando as relações e servindo de instrumento de empoderamento e representatividade. “Queremos ser vistos como iguais. Alguém que detém os mesmo deveres e quer os mesmos direitos. O direito de ir e vir e viver com dignidade, com respeito e sem medos”, explica Theo Borges.

O deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ), único membro assumidamente gay do Congresso brasileiro, e que trava uma batalha diária e cruel contra a homofobia dentro e fora do parlamento, disse em uma de suas publicações sobre o projeto Nosso Amor Existe, que iniciativas como estas são extrema importância. “Cada um e cada uma, a nosso modo e em nossos espaços de convivência, estamos na luta pelo direito de amar, de viver em liberdade, de sermos respeitados e de termos visibilidade”.

O fotógrafo Ricardo Puppe lembra que o projeto já reúne mais de 50 histórias de casais, em vídeo e foto, e que o documentário já alcançou a marca de 13 mil visualizações em menos de um mês. “É incrível ver que em meio a tanto ódio, e tentativas de deslegitimar o amor e as relações homoafetivas, um projeto como este tem sido tão bem recebido. Percebemos que a melhor forma de chegar ao outro é mostrando que somos alguém com os mesmos deveres e direitos. Sentimos as mesmas dores, sangramos, temos famílias, problemas, alegrias. Somos iguais”.

Assista ao documentário: Nosso Amor Existe:

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