Verônica de Moura, de 26 anos, se mudou a trabalho há dois meses para Toledo, no interior do Paraná, e jamais imaginou que seria vítima de lesbofobia na cidade. No último sábado (24), quando estava voltando para casa, parou em uma conveniência e foi covardemente agredida por um homem sem nenhuma razão.

Ela conta que chegou à loja e não viu que havia um fila de atendimento, e logo um homem começou a insultá-la.  Algumas pessoas que estavam ali deixaram com que ela passasse na frente e enquanto estava sendo atendida, o homem veio em sua direção com socos e chutes até derrubá-la.

“Quando eu cheguei ali ele já queria fazer alguma coisa comigo, mas eu nem me preocupei, tinha tanta gente ali”. Mesmo com vários homens presentes, nenhum se mobilizou a ajudá-la enquanto ele batia e a insultava. “Ele esperou que eu fosse atendida e veio pra cima de mim gritando que veado tem que morrer”, diz ela.

“O segurança ficou lá olhando, como se fosse um juiz de vale tudo” comenta Verônica. “Um descaso, as pessoas lá na conveniência ficaram olhando, não fizeram nada. A polícia então, um descaso também”.

É possível acompanhar pelas imagens das câmeras de segurança do local o momento em que ele começa a espancar a jovem. “Ninguém chamou a polícia. A atendente ficou olhando, o dono do estabelecimento também. Eu que tive que ir pro outro lado da avenida e ligar pra polícia”.

Ela conta que ele permaneceu lá esperando uma viatura da polícia. “A polícia perguntou ‘e o agressor já fugiu?’, eu disse ‘não, está aqui, se vocês vierem agora pegam ele aqui’”.  Depois de 20 minutos o agressor atravessou a rua, subiu na moto para ir embora, e a polícia não havia chegado. “Foi quando eu cheguei mais perto pra tentar anotar o número da placa da moto, e ele começou a falar ‘agora eu vou te matar, vou terminar de te moer agora’, e eu saí correndo”.

Verônica fez o boletim de ocorrência, e com a ajuda das imagens a delegada Fernanda Lima da delegacia da mulher conseguiu identificar o agressor. Com vários ferimentos no rosto, socorristas do Samu a levaram para a UPA onde recebeu atendimento médico.

“Eu estou denunciando não só por mim, mas por muitas pessoas que passam por isso. Eu já enfrentei tudo e não vou me calar agora por essa cidade”, desabafa Verônica.

O Coletivo Espaço da Diversidade está preparando uma mobilização para o próximo domingo (09), às 16 horas, no Lago Municipal de Toledo, onde seguirão até a conveniência onde aconteceu o ataque.

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