Em todo o país está sendo realizada a campanha Setembro Amarelo. A ação busca chamar a atenção da população para o tema e sua prevenção, uma vez que 90% dos suicídios poderiam ser evitados, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), e correspondem a uma morta a cada 40 segundos no mundo.

Vários órgãos e entidades públicas vêm se engajando em divulgar as formas de prevenção, entre elas, entender que o suicídio tem como grande causa os transtornos mentais, especialmente a depressão.

Nesse sentido, há uma população que adoece com a depressão pela discriminação e o preconceito, a população LGBT. O Brasil se tornou neste ano o país mais perigoso no mundo para as pessoas lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais, representando 318 mortes em 2015, uma a cada 28 horas por violência física, sem contar as vidas que não viram números nas estatísticas.

Não há muitos estudos sobre a depressão, bulliyng e suicídio motivados por homofobia, como se  não houvesse interesse em mensurar o sofrimento dessa população, ou com a intenção de camuflar a violência sofrida por esse grupo que representa mais de 20 milhões de brasileiros. O que sabemos é que diariamente essa população é expulsa de casa, excluída do mercado de trabalho, escola, grupos sociais e religiosos por suas orientações sexuais e/ou identidade de gênero.

Em 2012 realizou-se um estudo na Universidade de Columbia nos Estados Unidos para avaliar a relação entre orientação sexual e o suicídio de pessoas jovens com cerca de 32.000 participantes anônimos, alunos de escola pública entre 13 e 17 anos. Os resultados foram assustadores: adolescentes lésbicas, gays, bissexuais e transexuais estão cinco vezes mais propensos a tentar suicídio que heterossexuais. A pesquisa também concluiu que o ambiente influencia bastante. Quanto mais receptivos, menores as taxas de suicídio.

Em outra pesquisa realizada na Universidade Federal de Alagoas (UFAL) em 2013, com 1.600 participantes, entre 12 e 60 anos, sendo 72% de homossexuais e 28% de bissexuais, 59% do sexo masculino e 41% do sexo feminino, os resultados também chamaram atenção. De acordo com o estudo, 78% dos entrevistados já tiveram a sensação de “sumir”, enquanto que 49% disse já ter desejado não viver mais.

Enquanto 15% dos entrevistados revelaram ter coragem de tirar a própria vida e 10% já teve vontade ou até mesmo tentou tirar a própria vida, mas acha que hoje não conseguiria mais realizar o ato. Os entrevistados apontaram que o que poderia levá-los a tirar a própria vida seria a falta de apoio espiritual, seguida de sentimentos gerados por outros dois outros motivos: indiferença e preconceito.

Educação para diversidade

Estudos anteriores apontam que o suicídio é a terceira principal causa de morte entre jovens de 15 a 24 anos nos Estados Unidos. “Este estudo sugere como podemos reduzir as tentativas de suicídio entre gays, lésbicas e bissexuais. Mostra também que a criação de um ambiente escolar bom para os homossexuais pode levar a melhores resultados na saúde de todos os jovens”, declarou o psicólogo Mark L. Hatzenbuehler, responsável pela pesquisa.04807196800

O bullying começa desde muito cedo e está relacionado a uma reação à quebra dos padrões sociais de gênero. A discriminação gera uma série de efeitos negativos sobre a saúde mental do indivíduo e contribui mais tarde para o seu adoecimento.

“Devemos trabalhar o bullying homofóbico nas escolas porque jovens em todo o mundo são afetados por essa violência, e isso infringe os direitos desses jovens a uma educação de qualidade. O bullying homofóbico influencia no desempenho dos alunos, bem como, aumenta a taxa de evasão escolar”, afirmou Mark Richmond, diretor de educação pela paz e pelo desenvolvimento sustentável da UNESCO (ONU para Educação, Ciência e Cultura).

O que foi constatado também nos estudos sobre “Discriminação em razão da Orientação Sexual e da Identidade de Gênero na Europa”, do Conselho da Europa, onde identificaram que como resultado do estigma e da discriminação na escola, jovens submetidos ao assédio homofóbico são mais propensos a abandonar os estudos, e mais predispostos a contemplar a automutilação, cometer suicídio e se engajar em atividades ou comportamentos que apresentam risco à saúde.

Veja também: LGBTFOBIA NA ESCOLA: QUASE 20% DOS ALUNOS NÃO QUEREM COLEGAS GAY OU TRANS

A LGBTfobia é uma realidade e um problema social, e seu combate é possível, uma vez que já sabemos como é produzida e reproduzida. É preciso exigir políticas públicas para a garantia de direitos, como a criminalização da homofobia e a educação para a diversidade com responsabilidade, envolvendo a família e a comunidade neste processo de discussão.

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