Depois de um tempo quebrando a cabeça e entrando em relacionamentos com prazos de validade bem definidos, resolvi deixar a vida me levar. Estava mudando de cidade e trazia na mala uma vontade absurda de viver os dias sonhados e encontrar paz no caminho.

Antes de conhecer o novo apartamento em Recife, locado ainda quando estava no Paraná, decidi dar uma passada em João Pessoa. Havia conhecido a cidade antes, e me encantei com tudo, do clima, às praias, da tranquilidade das ruas, às pessoas.  Nos três dias que passei na cidade paraibana, fiquei hospedado na casa do Ricardo.

Fomos pras “Muriçocas”, e pode ter sido o axé, mas alguma coisa naquela noite mexeu comigo. No dia seguinte, fui pra Recife, e o convidei para passar um dia de carnaval comigo e retribuir a hospedagem.  Na sexta-feira já confirmei tudo, queria que ele viesse o mais rápido, e então sábado nos encontramos nas ladeiras de Olinda, e vocês sabem o que acontece naquelas ruas e as forças que imperam nos corações dos aventurados…

Carnaval e flores.

Uma foto publicada por Ricardo Puppe (@ricardopuppe) em

Naquele sábado não houve despedidas. Estendemos a noite no Recife Antigo, e uma chuva torrencial de cores e amores embalados por Gaby Amarantos nos deleitou, e vimos o dia amanhecer, juntos. O domingo, a segunda e a terça-feira simplesmente aconteceram, voltávamos para casa com o dia amanhecendo, comíamos o que encontrávamos pelo caminho, conversávamos sobre a vida, a cidade, e os sonhos de viver contando histórias.

Aquela sintonia era incrível, mas no fundo sabíamos que a quarta-feira ingrata de cinzas nos separaria.

Ele acordou cedo e estava quieto. Mexeu de um lado para o outro suas coisas, revirou nossas roupas que já estavam misturadas depois de quatro dias juntos, enquanto eu fingia dormir com uma angustia no peito… “Eu tenho que ir”, ele disse e me rasgou a alma, eu levantei da cama e acho que fiz uma cara de ‘manha’ porque o seu olhar pra mim foi tão complacente, talvez seu peito lhe dizia que eu não queria que ele fosse, e acho que no fundo ele também não queria ir.

“Vem comigo”, ele disse. E não houve razão, eu só sorri, segurei a sua mão e aceitamos juntos o desafio da entrega. Dividimos expectativas, planos, açaí, skol beats, vinhos, algumas porções de batatas fritas de frente pro mar. Somamos nossas manias, nossos discos e livros. Mostrei meus filmes preferidos, e ele me contou seus segredos.

Tivemos dificuldades na vida nova e tivemos alegrias. Certo dia estava estendendo nossas roupas no varal enquanto assistia TV, e a apresentadora insistia em dizer que haveria uma surpresa no final do programa, pensei mil coisas, menos que seria pedido em namoro ao vivo. Começamos a namorar depois de estarmos morando juntos há uns 20 dias…

“Que loucura” pensava. “Que loucura” pensavam. E todos estavam certos.

Construímos uma vida real, de mãos dadas, e nosso laço foi se consolidando, nosso projeto se transformou em plural. Aquele sonho de contar histórias tomou corpo e junto idealizamos o ~NÓS2~, nossa vontade de tocar e mudar o mundo com as nossas paixões.

Dormingo

Uma foto publicada por Ricardo Puppe (@ricardopuppe) em

Sou apaixonado por fogos de artifícios, e no réveillon de 2015/2016 fui surpreendido com um pedido de casamento na praia de Boa Viagem, enquanto assistia a um espetáculo de cores e meu peito pulsava de amores. “Sim”, renovamos todas nossas certezas e colocamos na bagagem a esperança e a cumplicidade.

Novo Ano.

Uma foto publicada por Ricardo Puppe (@ricardopuppe) em

Estávamos prontos para dar um passo maior e mostrar ao mundo que o amor é a força mais poderosa do universo. Sonhamos um espaço de respeito para nós e pra todos, o lugar comum repleto de gente do bem, que se alegra com as conquistas e que se sente seguros para bradar ao mundo que o #NossoAmorExiste.

Natal de Nós2+1.

Uma foto publicada por Ricardo Puppe (@ricardopuppe) em

(Theo e Ricardo – João Pessoa, PB)

bg-nae-02

 

Related Posts

Comentários

Comentário