O caso de Kyler Prescott aconteceu em maio de 2015, mas voltou à tona depois que sua mãe, Katharine Prescott, decidiu processar o hospital em que o jovem estava internado, na ala psiquiátrica, sob observação por risco de suicídio.

Antes cometer o suicídio, o garoto foi admitido no Rady Children’s Hospital, em San Diego, onde ficaria por 72 horas em observação, um procedimento comum para casos de tentativas de suicídio, para garantir que o paciente não se machuque, nem tente se matar.

Segundo Katharine, as enfermeiras o tratavam insistentemente no feminino e se referiam a ele como “uma garota”, o que apenas intensificou seus sentimentos de ansiedade e depressão. O comportamento dos funcionários do hospital o deixaram ainda mais agitado e traumatizado, culminando em seu suicídio no dia 18 de maio. “Ele entrou em crise com a equipe tratando ele no feminino”, disse.

transfobiaO jovem de apenas 14 anos era vítima constante de cyberbullying e sua mãe recorreu ao hospital na tentativa de obter ajuda quando seu filho externou seu desespero. Pouco antes de falecer, ele escreveu um poema em que falava daquele que estava “preso dentro de seu corpo, envolto pelas correntes da sociedade que o impedem de escapar” (“He’s trapped inside this body, wrapped in society’s chains that keep him from escaping”).

Ele tocava piano e era um ativista engajado pela causa LGBT e pelos direitos dos animais, tinha o apoio da família, mas voltou à depressão depois de ser provocado online.

O caso chamou a atenção pela hostilização por parte dos funcionários do hospital. No processo a mãe alega que entrava em contato com a instituição constantemente e que uma das vezes um funcionário chegou a dizer ao jovem, “querida, eu iria chamá-lo de ‘ele’, mas você é uma menina tão bonita.”

A ação vem em um momento importante para a população trans americana, que tem lutado nos tribunais pelos direitos civis, como usar seus banheiros públicos desejados e vestiários. Um dos advogados de Prescott, Alison Pennington do Law Center Transgender, disse à NBC News  que a ação civil pode ser a primeira vez que um caso envolvendo uma criança transexual reivindica a discriminação baseada no Affordable Care Act (a Lei de Proteção e Cuidado ao Paciente, chamado comumente como ACA ou “Obamacare”, uma lei federal dos Estados Unidos sancionada pelo presidente Barack Obama em 23 de março de 2010).

No ano passado, após o suicídio de Kyler, sua mãe participou de uma entrevista com Caitlyn Jenner.

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