Robert Mapplethorpe (1946 – 1989) é um dos principais nomes da arte homoerótica.  Mesmo sendo gay ele foi casado com a cantora e poetisa Patti Smith com quem viveu por anos no tradicional Hotel Chelsea. Eram frequentadores da Factory, sede dos projetos performáticos e em múltiplas plataformas de Andy Warhol e um dos pontos mais emblemáticos e efervescentes da história de Manhattan.

Terceiro de seis irmãos em uma família de origem irlandesa, teve uma educação católica no Queens e estudou artes gráficas, pintura e escultura no Brooklyn Pratt Institute, mas abandonou o curso antes de se formar. Conheceu Patti ainda na adolescência, e viveram juntos de 1966 a 1974, época em que ela o sustentou trabalhando em lojas de livros. Mesmo após Mapplethorpe assumir sua homossexualidade, mantiveram um relacionamento extremamente próximo por toda a sua vida.

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Seus primeiros trabalhos foram esculturas e colagens de revistas eróticas, interessando-se pela fotografia através de John McEndry, curador da coleção fotográfica do Metropolitan Museum of Art de Nova Iorque. McEndry foi o responsável por presenteá-lo com sua primeira máquina fotográfica, uma Polaroid SX-70. Guiado pela ambição em fundar uma linguagem inovadora, que unisse pintura, desenho, escultura, Mapplethorpe descobria a fotografia enquanto se descobria sexualmente.

Em 1972, conheceu Sam Wagstaff, colecionador, ex-curador do Instituto de Artes de Detroit, que viria a ser o seu companheiro até o final da vida. Passou a trabalhar com câmeras de grande formato, montando seu estúdio em 1976, já com sua principal ferramenta de trabalho, uma Hasselblad, e uma pequena teleobjetiva que servia basicamente para retratos, além de fundos neutros e flashes.

Apaixonado por flores, certa vez respondeu em uma entrevista: “eu fotografo flores porque parecem um pênis”. Sua obra perpassa nomes como Andy Warhol, Debbie Harry, Richard Gere, Arnald Swasnegher, Grace Jones e Peter Gabriel.

Arnald Swasnegher e Richard Gere.

Arnald Swasnegher (1976) e Richard Gere (1982).

Ganhou fama e popularidade ao contribuir para revistas como Vogue e Esquire, mas consagrou-se na cena cultural quando chegou aos museus. Em 1977, realizou duas importantes exposições: uma dedicada à fotografia de flores, outra a nus masculinos e iconografia sadomasoquista.

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Em uma época em que a homossexualidade ainda estava distante das manifestações artísticas do século 20, Mapplethorpe explorou ora com delicadeza, ora com brutalidade, o nu masculino, o sexo entre homens e o sadomasoquismo. Mesmo que esses temas bastassem para que causassem controvérsia, suas imagens também apresentavam um conflito: o duplo papel do retratista como observador e participante.

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Seus icônicos retratos em preto e branco e suas controversas fotografias marcaram seu nome na cena artística e de contra-cultural nova-iorquina dos anos 1970. Mas naturalmente que os mais conservadores e todos aqueles que preferem fingir que o mundo é somente como seus olhos consideram correto tentaram conter a força seu trabalho. Livros foram recolhidos, exposições foram embargadas, políticos, religiosos e juízes em geral declararam publicamente repúdio e horror à sua obra, que cresceu, diante do público e da classe artística, tanto pela força e beleza quanto pela contundência da revelação que parece trazer em cada retrato.

A polêmica atingiu seu auge décadas depois, até mesmo após seu falecimento. Em 1990, a polícia invadiu uma exposição póstuma em Cincinnati e processou o museu Contemporary Arts Center of Cincinnati criminalmente pela mostra – um caso único nos Estados Unidos.

Seu auge como artista ocorreu na década de 1980: de uma hora para outra, era citado em todos os lugares. Seus clientes incluíam famosos de Hollywood e membros da nobreza europeia.

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Louise Bourgeois (1982)

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Lisa Lyon (1982)

robert_mapplethorpe__self_portrait_1988Sempre fez o que quis, e o resultado foi uma obra que inclui o mais íntimo da biografia do seu autor até ao fim, uma das suas obras mais importantes é o autorretrato que fez já com marcas visíveis da doença, com o olhar de frente para a câmara, rosto branco em fundo negro, a mão direita apoiada numa bengala com castão em forma de caveira. Um retrato de morte esculpido com luz, a mesma luz com que esculpiu corpos, rostos e flores.

Mapplethorpe morreu com 42 anos, no dia 9 de março de 1989, três anos após ter sido diagnosticado com o vírus do HIV e dois anos depois de perder Sam Wagstaff.

Para conhecer mais sobre a obra e a vida de Robert e seu encontro amoroso com Patti, uma boa pedida é o livro autobiográfico da cantora “Só Garotos”, que se tornará uma série para TV em breve pela Showtime, sob a produção de John Logan (Penny Dreadful).

Veja outras obras de Robert Mapplethorpe:

Patti Smith 1976 Robert Mapplethorpe 1946-1989 Accepted by HM Government in lieu of inheritance tax from the Estate of Barbara Lloyd and allocated to Tate 2009 http://www.tate.org.uk/art/work/P13083

Patti Smith (1976)

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Ken Moody e Robert Sherman (1984)

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Man in Ployester Suite (1980)

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