A homofobia nos estádios é um assunto que começou a ser debatido muito recentemente, e o que muitos pesquisadores se perguntam é o que os torcedores fariam se seus clubes contratassem jogadores abertamente homossexuais. Foi isso que a BBC britânica resolveu investigar.

A pesquisa realizada com quatro mil pessoas revelou que 82% dos torcedores não se incomodariam com a situação, sendo 8% dos fãs disseram que deixariam de acompanhar o time caso chegasse um jogador gay.

Quase 15% respondeu que acreditam que os companheiros ficariam desconfortáveis com a situação, e 18% disseram que são contra “revelar” a orientação sexual, mas que não deixariam de torcer para o clube.

A homofobia também se mostra presente no indicativo de que metade dos participantes da pesquisa afirmaram que já presenciou episódios de discriminação nas partidas, seja direta ou através de cânticos , o número, ainda assim, é inferior aos 59% que responderam já ter visto racismo nos estádios.

“Se revelar não seria um problema no ambiente de trabalho”, opinou Chris Sutton, ex-jogador de Celtic-ESC e Blackburn-ING. “Trabalhar em um clube de futebol é como em qualquer outro lugar. Os jogadores com que joguei não iriam se importar. Esses 8% não deveriam ser aceitos no futebol”, seguiu.

Outros números da pesquisa mostram que mais torcedores (12%) se incomodariam mais com um jogador de um rival sendo contratado por seu clube do que um homossexual. E a maioria, 57%, considera que atletas gays deveriam revelar sua orientação para incentivar os demais a fazerem o mesmo.

No futebol, o jogador mais conhecido a revelar sua homossexualidade foi o alemão Thomas Hitzlsperger, que teve passagens pela seleção de seu país, ainda que só tenha feito isso ao fim de sua carreira.

Na Inglaterra, o atacante Justin Fashanu revelou que era gay em 1990, quando sua carreira já entrava em decadência e nunca mais se encontrou no futebol, passando por diversas equipes desde então. Em 1998, aos 37 anos, o jogador foi encontrado morto, enforcado com um fio de luz, em sua garagem.

Muitas atletas já falaram sobre o preconceito no esporte, alegando em sua maioria que o que os impede muitas vezes de sair do armário, é a questão do patrocínio, onde os empresários poderiam deixar de investir nos atletas. Ainda assim, este ano nós tivemos a Olimpíada com mais LGBTs assumidos. Um avanço, mas que mostra que ainda temos muito a discutir.

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