O governo anunciou que milhares de homens gays e bissexuais que foram condenados por sua orientação sexual, as antigas leis anti-gays, serão postumamente perdoados. Segundo o Ministro de Justiça Sam Gyimah, o perdão faz parte do cumprimento de um manifesto aprovado em 2015.

Herói da computação durante a Segunda Guerra Mundial, Alan Turing foi condenado por “indecência grave” em 1952, e posteriormente, foi o único a receber o perdão real em 2013, contudo, esta nova lei irá perdoar os “crimes” de milhares de homens.

Até hoje, muitos homens (cerca 15 mil) ainda convivem com essa condenação anti-gay arcaica em suas fichas criminais. Essas condenações os impedem de participar plenamente da vida cívica no Reino Unido, como exercer determinados cargos ou fazer trabalhos voluntários.

Os danos causados às vidas desses homens não podem ser desfeitos, mas um perdão é um princípio de justiça para eles e representa o reconhecimento por parte do governo britânico de que a lei era anti-gay e desumana. “É extremamente importante que as pessoas que foram condenadas pelos crimes sexuais históricos sejam inocentados de qualquer crime hoje”, afirmou Gyimah.

“Este é um dia importante para milhares de famílias do Reino Unidos que fizeram campanha durante décadas. Estou muito grato pelo apoio do Governo e dos meus colegas do Parlamento”, disse à BBC o liberal democrata John Sharkey, que apresentou o projeto para perdoar Alan Turing. Além disso, afirmou ser “maravilhoso” que o perdão ao matemático tenha ajudado a construir esta lei.

Os liberais democratas continuam sendo a voz mais forte sobre igualdade no Parlamento. Este foi um compromisso, que mesmo firmado na oposição, tivemos êxito, graças ao trabalho incansável dos nossos  deputados, e dos outros partidos”, disse o líder dos liberais Tim Farron.

Por outro lado, um dos condenados por este tipo de crimes sexuais, George Montague, reivindica desculpas e não um perdão. “Aceitar um perdão, significa aceitar que você é culpado. Eu não sou culpado de nada. Apenas de estar no lugar errado no momento errado”, afirmou ao programa BBC Newsnight.

O governo alemão criou uma medida semelhante, no mês de maio do ano passado. Indenizou e eliminou os antecedentes de milhares de homens condenados até 1994.

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