Hoje há um grande consenso na medicina e na psicologia, de que uma pessoa não se “cura” de sua sexualidade, por vários motivos, dentre eles e o  mais importante, porque a orientação sexual, independente de qual seja, não é uma doença.

Muitos políticos brasileiros usam ainda hoje de má fé para postularem seus ideais, mas muitos deles não acreditam realmente que haja algum problema na orientação sexual e na identidade de gênero das pessoas, mas usam esses artifícios para se promoverem.

No episódio desta sexta-feira (11), da série Masters of Sex, que registra a revolução sexual do final dos anos 1960, a HBO irá apresentar um paciente que “acredita” ser homossexual e deseja passar por um processo de conversão na clínica dos protagonistas William “Bill” Masters (Michael Sheen) e Virginia Johnson (Lizzy Caplan).

Um novo colaborador da clínica, o psiquiatra Art Dreesen (Jeremy Strong), sugere a Bill que seja aplicada uma técnica moderna para ajudar um paciente, Bob Drag (Danny Jacobs), a se livrar da impotência sexual, que adquiriu após ter uma relação homossexual.

Escala criada pelo sexólogo Alfred Kinsey.

A ideia de Art é usar a escala Kinsey, criada pelo sexólogo norte-americano Alfred Kinsey, considerado o pai da revolução sexual. O livro Comportamento Sexual no Humano Macho (Sexual Behavior in the Human Male), de 1948, trouxe a primeira versão desse trabalho, resultado de entrevistas com mais de 5 mil homens realizadas durante 15 anos. A escala (figura acima) numera de zero a seis a sexualidade de um indivíduo: zero indica alguém exclusivamente heterossexual, e seis alguém exclusivamente homossexual.

Na conversa entre Art e Bob, o psiquiatra descobre que o paciente já teve duas relações homossexuais, uma na infância e outra recente, com masturbação e sexo oral em um cinema. A partir desse encontro, Bob não conseguiu mais ter ereção com a mulher. Assim, Art coloca Bob na coluna número três, como um ser igualmente heterossexual e homossexual. Após esse diagnóstico, o tratamento para a conversão se inicia.

Dois funcionários gays da clínica, Guy (Nick Clifford) e Barton Scully (Beau Bridges), observam de longe o que Art faz com o paciente e se revoltam. Barton vai até Bill, de quem é amigo de longa data e mentor, e pede que ele tome providências sobre o caso.

Kinsey e a “cura gay”

Kinsey foi um precursor de Masters e Johnson, personagens que também existiram na vida real e, igualmente, pesquisaram o comportamento sexual. Ele fundou um instituto de pesquisa sexual em 1947, na Universidade de Indiana.

Seu trabalho resultou em dois livros que servem como referência no campo da sexologia: Comportamento Sexual no Humano Macho (Sexual Behavior in the Human Male), de 1948, e Comportamento Sexual no Humano Fêmea (Sexual Behavior in the Human Female), de 1953.

O ator Danny Jacobs interpreta um homossexual à procura de uma “cura” em Masters of Sex.

A escala Kinsey representou uma revolução para a época, porque rompia com a ideia de que a opção sexual tinha de ser binária (atração pelo sexo masculino ou feminino) e mostrou que existe flexibilidade na atração sexual. As primeiras pesquisas de Kinsey mostraram que 12% dos homens se encaixavam no nível três da escala, assim como o personagem de Masters of Sex.

No Brasil, desde 1999 o CFP (Conselho Federal de Psicologia) proíbe que profissionais colaborem “com eventos e serviços que proponham tratamento e cura das homossexualidades”. Em 1990, a OMS (Organização Mundial da Saúde) deixou de classificar a homossexualidade como uma doença, mas sim uma variação natural da sexualidade humana.

Masters of Sex vai ao ar na HBO às sextas-feiras, às 22h.

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