Na noite de domingo (26/02), o biólogo Vitor de Souza Delboni, de 25  anos e o professor Leomir Brunch, de 23 foram agredidos e perseguidos após as apresentações da escola de samba União da Ilha da Magia (UIM), na praça da Lagoa da Conceição, em Florianópolis.

As vítimas precisaram fugir e se abrigaram em um posto de combustível. Eles contam que tudo começou após trocarem um beijo depois da apresentação de um amigo que tocava na escola. “Ele veio se despedir e a gente se beijou. Um cara me empurrou por trás, eu virei e ele disse ‘vocês não podem se beijar aqui’. Olhei para ele e deixei pra lá. Continuei a beijar, porque sou livre e não estava fazendo nada demais”, relata Vitor.

Ele teve o cabelo puxado e foi arrastado pelo chão. Leomir foi derrubado e passou a ser chutado por um grupo de pessoas que se aglutinou ao seu redor. “Fui ajudar meu amigo e as pessoas me empurravam. Cerca de 20 pessoas  se envolveram, não deu para identificar quem defendia e quem agredia”, conta.

O professor Leomir, de 23 anos, foi derrubado e agredido por mais de 20 pessoas. (Foto: Arquivo Pessoal)

Segundo eles, a agressão partiu de um integrante da bateria da escola. O presidente da UIM, Valmir Braz Nena, no entanto, afirma que a agressão envolve a comunidade e não componentes da agremiação. O casal registrou boletim de ocorrência como crime de lesão corporal dolosa.

Os jovens lembram que uma das integrantes da escola tentou defendê-los, mas não foi possível diante da ira dos agressores. Mesmo depois que a confusão se dissipou, precisaram correr porque os agressores os perseguiram pelas ruas.

“Puxei meu amigo,  que estava todo rasgado e com a cara inchada, deixei a bolsa para trás e saímos correndo. Gritávamos ‘chama a polícia, é homofobia’. Ninguém entendia o que estava acontecendo e outros tampouco estavam interessados. Nos abrigamos num posto e depois de insistir muito eles ligaram para a polícia”, diz Vitor.

Um casal de lésbicas, que chegou ao local para defender as vítimas, também sofreu violência por parte dos agressores que esperavam na rua. “Ficamos ilhados no posto, chegaram alguns grupos para defender a gente e também apanharam. Nos abraçamos e choramos juntos. A gente não tava sozinho”.

Depois de algumas horas de espera pela polícia, os dois foram resgatado de carro por amigos que seguiram até a 10ª Delegacia de Polícia da Capital. Aos policiais, relataram o caso e informaram o nome do agressor que iniciou a violência.

Vitor, que mora ao lado da praça, não conseguiu dormir em casa. “Foi uma violência absurda, covarde, fascista que ia somando pessoas e criando força. Como uma  festa de rua tão tradicional não conta com uma viatura? O bairro estava cheio e ninguém fez nada para nos socorrer”, afirma.

O presidente da escola inicialmente afirmou que a escola não se pronunciaria sobre o ocorrido, mas depois da repercussão soltou uma  nota pelas redes sociais dizendo que a escola não tolera este tipo de comportamento.

Leia na íntegra:

“Querida Comunidade,
A diretoria da UIM vem a público informar que repudia qualquer atitude homofóbica e esclarece que o incidente ocorrido ontem, 26 de fevereiro, envolvendo um casal homossexual, se deu entre pessoas que não integram a União da Ilha da Magia.
A diretoria esclarece também que sempre defendeu e acolheu toda e qualquer manifestação da personalidade e das liberdades individuais. Prova disso, são os enredos da escola que, a cada ano, despertam reflexão e ação, sempre em busca da liberdade de pensamento e expressão.
Além do próprio Estatuto da Escola que em seu texto esclarece não ser esta agremiação preconceituosa, além de defender a cultura e o convívio social.
Sendo assim, a UIM convida toda a Comunidade da Bacia Lagoa para juntos comemorarmos mais um Carnaval, apesar de todos as dificuldades para manter viva nossa escola, nossa cultura, e as liberdades individuais!!!

O grupo que acompanhou todo o caso, juntamente com o casal pretende desenvolver um mapeamento de todos os pontos da ilha onde alguém já sofreu algum ataque homofóbico, com o intuito de identificar esses locais e cobrar atitudes dos órgãos competentes, pressionando para políticas públicas a favor da diversidade.

Com informações de Catarinas

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