Nos últimos dois anos, 52 homossexuais foram assassinados em Manaus, no Amazonas. De acordo com a Secretaria Estadual de Segurança Pública, em 2015, houve o registro de 23 mortes, em 2016 aumentou para 26 e, neste ano, já são três óbitos.

Mas a pasta não aceitar caracteriza todos esses casos como motivados por homofobia. Em um relatório divulgado recentemente pelo Grupo Gay da Bahia (GGB), o estado do Amazonas ficou na quarta posição no ranking nacional em no ano passado, em homicídios contra gays, lésbicas, bissexuais e transexuais.

O secretário Sérgio Fontes contesta essa posição e diz que o levantamento não considera a motivação dos crimes. “É uma incorreção certamente sem má-fé. Estão numericamente corretos, mas na sua substância estão incorretos porque o que conta nisso é a motivação. Isso é fundamental pra qualquer crime de ódio. Eu tenho que provar que há uma motivação homofóbica, que a morte foi por causa da opção sexual”.

Segundo o secretário, a maioria dos casos de homicídios contra homossexuais no Amazonas está associada a roubos, furtos, crimes passionais, entre outros, no entanto, a comunidade LGBT sabe a dificuldade em se registrar um simples boletim de ocorrência em casos de homofobia, e em muitos casos de assassinatos a polícia não chega a investigar e não leva em conta o histórico de ameaça e as condições com que a LGBTfobia já havia sido apresentada por aquelas pessoas anteriormente.

Bruna La Close, presidente da Associação da Parada do Orgulho LGBT Manaus, informou que os dados divulgados tanto pelo Grupo Gay da Bahia como pela Secretaria de Segurança Pública do Amazonas serão analisados pelo Comitê Estadual de Enfrentamento à Homofobia.

“O que tenho a falar sobre isso é que juntamente com os Movimentos Sociais LGBT levamos essa situação para o Comitê Estadual de Enfrentamento a Homofobia do Amazonas”, afirmou La Close. “Após essa análise, o Comitê se manifestará oficialmente. Como faço parte deste Comitê, vou me reservar o direito de aguardar pela fala oficial do colegiado”.

A Secretaria de Segurança Pública do Amazonas informou ainda que estuda a implantação de uma delegacia especializada em crimes contra minorias, que vai tratar, por exemplo, de casos de homofobia, preconceito racial e religioso.

Com informações da EBC.

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