O jornalista João Pedro Schonarth e o servidor público Bruno Banzato estavam prestes a se mudar para uma nova casa em Curitiba (PR) até serem surpreendidos com uma notícia de que estavam sendo hostilizados em um panfleto (foto acima) de cunho homofóbico distribuído na vizinhança.

O material traz a foto de um casal gay e um texto que diz: “A sua rua será mais alegre. Todos os dias nos passeios matinais ou dos finais das tardes. Terá a visão para inspirar e influenciar toda a vizinhança. Você, seus filhos, seus netos e amigos”. Além disso, o endereço de João e Bruno, casados há sete anos, é divulgado.

Um boletim de ocorrência por crime de injúria foi registrado por eles. Os panfletos foram jogados nas calçadas da rua, de dentro de um carro, segundo o relato de vizinhos. “Se fazem isso em público, imaginem o que fazem quando estão a sós. Gostou das boas notícias?”, diz o folheto.

A casa já havia sido sabotada na semana anterior. “Nossa casa foi alagada porque alguém colocou água no caso do ar condicionado e ficou jorrando água a madrugada inteira. Iríamos nos mudar aquela semana e tivemos que adiar porque o piso foi danificado”, relata João em entrevista à BandNews FM Curitiba.

O casal entrou em contato com a ONG Grupo Dignidade, que defende os direitos de LGBTs, e recebeu a orientação de registrar um boletim de ocorrência.

“Levamos o técnico para avaliar a estrutura e ele confirmou nossas suspeitas de que foi uma sabotagem. Agora com esse panfleto ficou claro para nós que alguém quer nos amedrontar”. A Polícia Civil do Paraná está trabalhando no caso, mas a promotora Mariana Seifert Bazzo lembra, em entrevista à rádio, que o crime de homofobia não é tipificado no Brasil.

“Isso causa uma dificuldade até para fazermos uma estatística com relação aos crimes de homofobia no País e também para apenamento”, explica. “Nesse caso, a investigação será como a de um crime comum: danos, injúria ou ameaça”.

O casal ainda está decido a transformar essa dor em luta. “Eu tenho os mesmos sonhos de um heterossexual. A única diferença é a orientação sexual, porque o sentimento que uma pessoa heterossexual tem por alguém é o mesmo que eu tenho pelo meu companheiro”, pontua João, que está em um processo de adoção junto com Bruno, e em breve serão pais.

“Dói pensar que o meu filho estará nesse mundo onde as pessoas não aceitam as outras”, desabafa. “Mas não vou permitir que uma pessoa queira acabar com a minha dignidade, porque não vai. Eu sou maior que isso, a minha família é maior que isso e nós vamos resistir”.

Um evento em solidariedade ao casal foi agendado para este sábado na rua onde ocorreu a atitude homofóbica. Até o momento da publicação dessa reportagem, mais de 760 pessoas já haviam confirmado presença.

Com informação BandNews.

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