Centenas de pessoas se reuniram esta semana na embaixada russa em Londres para protestar contra a detenção de gays em “campos de concentração” na Chechênia. Eles carregavam cartazes e exigiam que a primeira ministra do Reino UnidoTheresa May se pronunciasse a respeito.

Lord Waheed Alli, o primeiro homossexual nomeado para a Casa dos Lordes disse que já enviou mais de 300 cartas paras deputados e colegas para ajudar a cobrar das autoridades chechenas e russas alguma atitude, e um pronunciamento oficial.

“Quero ter certeza de que na terça-feira, quando o parlamento voltar, esta seja uma questão importante para ser discutida”. Ele também enfatizou a necessidade de aparecer nas ruas: “Quando você ouve as histórias de campos de concentração e homens gays sendo presos, espancados, torturados e mortos, é responsabilidade de todos sair e dizer ‘não aceitamos esse comportamento. Não toleraremos campos de concentração. De novo não!”

O protesto ainda pediu que a ONU interfira e exija explicações dos dois governos. “Todos nós precisamos usar qualquer espaço seguro no mundo que temos para marchar atrás daqueles que não podem falar por si mesmos”, disse o estudante paquistanês Usmann, de 21 anos.

campo de concentração

A sociedade chechena é extremamente conservadora, parentes de LGBTs desaparecidos não costumam pressionar as autoridades, nem mesmo denunciar. “Hoje em dia, poucas pessoas se atrevem a falar com jornalistas ou ativistas dos direitos humanos, mesmo que anonimamente”, lamenta Tanya Lokshina, membro da ONG Human Rights Watch em Moscou. “O clima de medo é palpável. Registrar qualquer tipo de reclamação contra a polícia local é extremamente perigoso, pois a retaliação das autoridades locais é praticamente inevitável.”

Lokshina ainda aponta para a dificuldade de saber o que está acontecendo no país, pois como a homofobia é intensa, as pessoas que até  não concordam com os atos do governo, não têm coragem de denunciar, de passar informações. “LGBTs correm risco não apenas de serem perseguidos pelas autoridades, mas também de tornarem-se vítimas de ‘assassinatos para lavar a honra’, realizados por seus próprios parentes.”

O estudante de Bangladesh, Mohammed Ali acrescentou que esperava que este protesto mostrasse ao presidente Valdimir Putin que as pessoas do mundo estão se levantando contra a perseguição de pessoas gays. A multidão atingiu a capacidade no pavimento fora da Embaixada bem antes do início do evento, e quando flores cor-de-rosa foram colocadas na frente da embaixada, os manifestantes ocuparam ambos os lados de Bayswater Road.

Até agora o Kremlin (gabinete executivo do governo da Rússia) negou qualquer conhecimento do tipo, e por meio de uma fala de um porta voz comentou que “é impossível prender ou reprimir um tipo de pessoa que não existe na república. Se essas pessoas existissem na Chechênia, as autoridades não precisariam se preocupar com elas, pois seus próprios parentes as mandariam para lugares de onde jamais retornariam.”

Há uma petição on line (clique aqui para assinar) que já conta com mais de 31 mil assinaturas que cobra das autoridades russas o fim da perseguição contra homens gays na Chechênia.

Com informações do PinkNews.

 

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