A vencedora do Miss T Brasil 2017 e próxima representante brasileira no Miss International Queen, na Tailândia, em novembro deste ano, Izabele Coimbra vê na vitória no concurso de beleza muito mais do que uma conquista pessoal.

Para ela, será a oportunidade de levantar a bandeira trans no mundo e trabalhar para quebrar o ciclo de violência a que milhares de transgêneros são submetidos diariamente. “Tenho orgulho da mulher em que me tornei e agora vou ter a chance de mostrar que a pessoa pode ser o que quiser. Estamos vivendo o momento trans, quando as portas devem e serão abertas para todas”, afirma.

Natural de Divinópolis, Izabele tem 23 anos e não fugiu às estatísticas de violência por causa da orientação sexual. “Todas passam por algum tipo de violência, mesmo que seja a psicológica. Não chegaram a me agredir fisicamente, mas tive uma adolescência muito traumática. Tive transtorno de identidade e passei até por tratamento”.

O trauma a que ela se refere é fruto da dificuldade de se enquadrar um “padrão” quando ainda se descobria. Com os traços femininos, Izabele sempre se viu como menina. Mas até que ganhasse segurança para se assumir como tal, passou por anos de solidão e bullying em colégios e ambientes que frequentava.

Até que conheceu algumas transexuais que mostraram que era possível ser mulher sem ter nascido como tal. “Tenho orgulho de ser uma mulher trans e quero ser uma militante da causa”, garante.  Com o apoio da mãe desde o início, Izabele conseguiu concluir o ensino médio. Hoje, faz aula de teatro. Graças à beleza, teve muitas portas abertas no mundo da moda. Começou fazendo fotos com vestidos de noivas em Belo Horizonte e agora, com o título de miss, planeja voos mais altos.

“Qualquer trans pode ocupar o espaço que quiser no mercado de trabalho. Como miss, terei mais voz e espaço para mostrar isso”. Ela pretende levar a mensagem de que a prostituição não é o único caminho. Nos planos também estão parcerias para lançar concursos de beleza em Minas, uma forma de dar oportunidade a outras mulheres trans que, como ela, sonham com as passarelas.

Transfobia em Minas

O único levantamento oficial que há no Brasil sobre morte de LGBT é do Grupo Gay da Bahia (GGB) estima que 343 LGBT foram mortos no ano passado em todo o país. Em Minas Gerais, acredita-se que foram 21. Os dados levam em conta notícias publicadas pela imprensa, o que significa que os números podem ser bem maiores, uma vez que muitos casos nem chegam a virar notícias, ou estatísticas.

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As principais vítimas são os transexuais e travestis, que representam 42% dos mortos em 2016. O maior sofrimento por parte do grupo trans tem ligação com o fato de boa parte deles serem “empurrados” para a prostituição. Sem oportunidades de emprego e após sofrerem bullying nas escolas, essas pessoas acabam vendendo o próprio corpo para sobreviver.

Segundo dados do Ministério da Justiça e Cidadania, no ano passado, 1.876 LGBT denunciaram, por meio do Disque 100, algum tipo de violência sofrida. Em Minas, foram 96. O principal tipo de violência denunciada no Estado é a discriminação, com 50,2% dos casos. A violência psicológica fica em segundo lugar, com 29,6% e a física em seguida, com 17,35%.

Com informações do portal Hoje em Dia.

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