O vereador Cícero Martins (PTB), da Câmara Municipal de Natal (RN), falou nesta segunda-feira (10) durante a reunião da Comissão de Educação da casa, sobre uma matéria falsa que afirmava a aprovação da Câmara dos Deputados, de cota para homossexuais em concursos públicos.

Durante seu discurso carregado de homofobia, o vereador utilizou frases como: “Não estou conseguindo conviver com esse tipo de coisa”, e “não vou admitir que isso é uma coisa normal da cabeça humana”, além de afirmar que vai “incomodar” com seu mandato, provavelmente as pessoas que não aceitam esse tipo de discurso discriminatório.

A notícia de seu discurso a respeito de uma matéria falsa sobre uma lei que não existe virou logo piada pelas redes sociais, e ele foi categórico em dizer que não é obrigado a conferir a veracidade dos coisas antes de se pronunciar à respeito. “Não acho que fui irresponsável. Não posso sair apurando tudo que eu vejo nos sites que confio”, disse em entrevista ao G1.

A matéria sobre a suposta aprovação de cotas para gays é uma velha conhecida do movimento LGBT e das redes sociais, que corriqueiramente é usada para disseminar o ódio e a intolerância.  O texto diz que o autor do projeto é o deputado Marquinhos Freire (PT-BA), que nem mesmo existe, e menciona uma Federação Brasileira dos Bissexuais, também inexistente.

Em uma busca simples pelo site da Câmara é possível atestar a falsidade desta notícia, que aliás, aos olhos de qualquer pessoa com o mínimo de entendimento do que as cotas sociais e raciais significam, compreendem que tal nota não poderia ser verdadeira.

O vereador disse que achou a matéria durante pesquisas cotidianas e ficou sabendo que era falsa após a reunião, já à noite, mas reiterou que independente da veracidade da notícia, mantém a mesma opinião sobre as cotas. “Eu tenho preconceito contra cotas. Joaquim Barbosa chegou onde está sem auxílio de cotas, por exemplo. Sou contra”, ressaltou.

Cícero Martins sustentou que não é homofóbico porque convive com pessoas homossexuais. “Eu e minha esposa temos homossexuais trabalhando conosco há anos. Como poderíamos ser homofóbicos?”. E sobre as falas transfóbicas em seu discurso, quando utilizou seus conhecimentos de genética adquiridos em sua formação como professor de biologia, ele contou ao G1 que “existe XY e XX. Só vou contra isso quando eu vir um homem engravidando ou menstruando”.

No final de março, Cícero Martins foi envolvido em outra polêmica quando mandou uma vereadora “calar a boca”, e depois voltou a dizer que a Câmara era “lugar de homem”. “Semana passada eu fui chamado de machista, ontem de homofóbico. Eu não sei o que serei na próxima semana”, concluiu.

Assista o vídeo do discurso do vereador Cícero Martins (PTB), na Comissão de Educação. Imagens da TV Câmara:

Related Posts

Comentários

Comentário