Fazer uma lista com indicações de filmes é sempre um desafio, pois sempre vai faltar uma grande obra e sempre vai haver um desentendimento sobre o porquê um título foi escolhido ao invés de outro. Quando falamos em cinema gay, ou filmes que abordem o espectro das orientações sexuais em seus personagens, encontramos muitas vezes aqueles que ficam conhecidos graças à publicidade e marketing desenvolvido ao projeto, mas há muitos trabalhos que não ganham tanto destaque e que merecem ser descobertos.

São filmes estrangeiros que não entram no circuito dos cinemas, ou mesmo filmes nacionais desacreditados que não passam das exibições dos (pequenos) festivais que participam, e todos eles trazem em si uma abordagem interessante sobre a sexualidade, seja na descoberta, ou na tranquilidade com que outros tantos problemas são abordados, sem que a vida do personagem gay/LGBT gire em torno de sua orientação, ou da sua relação amorosa.

Listamos aqui, 10 filmes com temática gay para serem descobertos e contemplados. Pequenas obras primas que merecem um lugar tão prestigiado quanto as grandes produções que abordam esse tema tão vital, comum e natural que é a sexualidade.

VOCÊ NÃO ESTÁ SOZINHO (1978)

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Du er ikke alene (“Você não está sozinho”) é um filme dinamarquês de 1978 sobre a homossexualidade infantil, dirigido por Lasse Nielsen e Ernst Johansen. O filme marcou época na Europa, apesar de enfrentar censuras e proibições em lugares mais conservadores. Narra a vida de alguns pré-adolescentes num internado católico no interior da Dinamarca. O personagem central é Kim (Peter Bjerg), um menino de 12 anos, filho do diretor da escola. Entre Kim e Bo (Andres Agenso), seu amigo de 15 anos, surge uma relação amistosa e sexual.

Mais do que a descoberta dos personagens, esse filme aborda de maneira simples como a homossexualidade é tratada pelos alunos, sem a sentença dos adultos.

MINHA VIDA EM COR DE ROSA (1997)

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Minha Vida em Cor-de-Rosa (Ma vie en rose) é um filme europeu (uma produção cooperativa entre a Bélgica, França, e o Reino Unido) dirigido pelo belga Alain Berliner e lançado em 1997. Conta a história de Ludovic, uma criança que é vista pela família e comunidade como um menino, mas de forma consistente comunica ser uma menina. O filme retrata uma família lutando para aceitar essa expressão da sexualidade do filho.

Mais do que um filme que aborde a transexualidade, o que marca a trama é a busca da família para tentar entender e qualificar a homossexualidade da criança, um debate necessário para se fazer entender a identidade de gênero.

Party Monster (2003)

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Party Monster é um filme norte-americano de 2003, de Fenton Bailey e Randy Barbatouma. Uma comédia dramática biográfica que narra a ascensão e queda do célebre promotor de eventos nova-iorquino Michael Alig, notório consumidor de drogas e conhecido como o “Rei dos Club Kids”, interpretado por Macaulay Culkin.

O filme é baseado em Disco Bloodbath, autobiografia de James St. James que descreve sua amizade com Alig, que acabou sendo afetada pelo vício em drogas de Alig, que também inclui outros motivos, e terminou quando este assassinou Angel Melendez e foi preso. Um documentário de 1998 sobre o assassinato, Party Monster: The Shockumentary, foi utilizado para certos elementos do filme.

FAQs (2005)

temática gay

FAQs é um filme independente, escrito e dirigido por Everett Lewis, em sua estreia no Philadelphia International Gay & Lesbian Film Festival, foi elogiado pela crítica por sua performance crua e o que foi chamado de atmosfera pesada

Após morar por algum tempo nas ruas de L.A, Indio espera que todo homofóbico seja castigado. Neste caso o castigo chega pelas mãos de uma Drag Queen corajosa e com bom coração que ajuda todos os adolescentes gays que não tem abrigo. Um filme que mostra a vida difícil de adolescentes gays expulsos de casa e a realidade das rua à mercê do preconceito e da violência homofóbica.

A FESTA DA MENINA MORTA (2008)

temática gay

Dirigido por Matheus Nachtergaele, A Festa da Menina Morta conta a história de uma pequena população ribeirinha do alto Amazonas, que está prestes a comemorar os 20 anos de sua festa tradicional. O evento celebra o milagre realizado por Santinho, que após o suicídio da mãe recebeu em suas mãos, da boca de um cachorro, os trapos do vestido de uma menina desaparecida. A menina jamais foi encontrada, mas o tecido rasgado e manchado de sangue passa a ser adorado e considerado sagrado.

O filme é sensível e mostra a convivência fluida da comunidade com a homossexualidade, que ora ou outra se confunde com a transexualidade, e que não é questionada, mas aceita, por um viés da religiosidade. Esta é uma grande pequena obra prima brasileira.

Bent (1997)

temática gay

O filme de Sean Mathias, conta a história da Alemanha nazista, no período que antecedeu a guerra. Max (Clive Owen), um homossexual enviado para o campo de concentração de Dachau tenta esconder sua homossexualidade usando uma estrela amarela, que era a forma de identificar judeus, em vez do triângulo rosa usado para “marcar” os homossexuais. No campo ele se apaixona por Horst (Lothaire Blutheau), um prisioneiro que usa com orgulho seu triângulo rosa.

Além de ter uma das cenas de sexo mais bonitas do cinema, o longa mostra uma parte da história que não nos foi contada, a condição da homossexualidade no Holocausto.

O AMOR É ESTRANHO (2014)

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O filme de Ira Sachs foge do caráter de impopular da lista, por ser uma produção hollywoodiana, mas ainda é um trunfo por abordar um relacionamento gay na terceira idade e de forma tão brilhante e singela. O longa conta a história de um casal que após uma relação de 39 anos decide se casar. Mal regressam da lua de mel e George é despedido da escola católica onde trabalhava, o que os dois farão para que fiquem juntos e consigam meios para continuar a viver na cidade é o que move o longa, e o mais interessante da obra é que ela em si não se baseia na sexualidade dos personagens, mas em todo o contexto que a velhice traz e os desdobramentos do desemprego.

Veja também:

Contracorrente (2009)

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Essa pequena obra prima peruana do diretor Javier Fuentes-León é delicada e emocionante. Pode no primeiro momento parecer um triangulo amoroso clichê, mas é uma deliciosa descoberta sobre os anseios que permeiam a sexualidade e suas possibilidades. A trama envolve Miguel, um pescador respeitado na vila onde mora e trabalha, casado com Mariela, que está prestes a ganhar o primeiro filho, mas ele vive um romance com Santiago, artista chamado pelos moradores de Príncipe Encantado. O tempo passa e a hora da “verdade” está chegando, Mariela começa a questionar Miguel, ao que ela entende como decidir sobre sua sexualidade.

DEIXE A LUZ ACESA (2012)

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Um filme também de Ira Sachs, menos leve que O Amor é Estranho, aqui em Deixe a Luz Acesa, ele mostra de forma honesta, a natureza das relações em nossos tempos. A história é ambientada em 1997, em Nova York, em um estado de fluxo intenso, quando o documentarista Erik Rothman (Thure Lindhardt) encontra pela primeira vez Paul Lucy (Zachary Booth), um advogado bonito, mas “enrustido” no campo editorial.

O que começa como um encontro logo se torna algo muito mais, e um relacionamento se desenvolve rapidamente. Enquanto os dois homens começam a construir uma casa e uma vida juntos, cada um continua a lutar em particular com suas compulsões e vícios. Um filme sobre sexo, amizade, intimidade, amor, e problemas reais de pessoas reais.

UM ESTRANHO NO LAGO (2013)

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Dirigido por Alain Guiraudie, Um Estranho no Lago tem em sua trama um lago onde homens se encontram para entre outras coisas, transarem. Mas em meio ao enredo, uma relação curiosa se desenvolve, Michel (Christophe Paou) um homem bonito, poderoso e mortalmente perigoso conhece o jovem Franck (Pierre Deladonchamps) disposto a viver algum tipo de emoção a mais do que sexo, ele se vê tentando descobrir um mistério sobre o homem que tanto o chamou a atenção.

O filme incomodou muito a crítica e dividiu as opiniões, mas a relevância se dá em poder acompanhar um enredo onde a história em si é interessante, e que abrace a homossexualidade de forma natural, diante de toda a complexidade que os personagens vivem fora do ambiente do lago, ali eles são iguais, e suas preferências não importam. Vale muito a pena ver.

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