O ator Bruno Fagundes fará sua estreia internacional nesta sexta-feira (5), no lançamento da segunda temporada da série Sense8, criada pelas irmãs Wachowski (Matrix). A participação do ator, filho de Antonio Fagundes, será curta, mas promete dar o que falar nas redes sociais. Em uma das cenas gravadas em São Paulo, ele aparece beijando outro ator da série.

Recusado para outro papel da série por ser jovem demais, aos 27 anos, Bruno foi convidado a fazer uma ponta pela diretora Lana Wachowski, que gostou de seu teste. Mesmo o ‘beijo gay’ sendo algo delicado no país que mais mata LGBTs no mundo, ele diz que não se sentiu intimidado. “Receio nenhum. Como ator, sou uma ferramenta para dar vida a todo e qualquer personagem e, assim, honrá-lo, respeitá-lo e defendê-lo com todo meu empenho e profissionalismo”, afirmou o ator ao UOL.

Sense8 e outras produções norte-americanas como How to Get Away with Muder mostram abertamente beijos e sexo com pessoas do mesmo sexo. Aqui no Brasil essas  cenas ainda são tratadas com certo cuidado para serem bem aceitas pelo público.

“Infelizmente, a educação no nosso país é deficitária —assim como cultura, saúde etc— quando comparada à dos EUA. Portanto, o diálogo sobre questões primordiais para a sociedade fica em segundo plano. Não é só uma questão de machismo ou da sociedade em que estamos inseridos. Nos EUA, desde muito cedo se fala disso, de uma forma bastante aberta e natural. O entretenimento lá absorve e traz às claras um reflexo real e necessário do que é, hoje, o mundo. Infelizmente, por aqui isso se torna alvo de preconceito, ignorância, ódio e tabus”, avalia o ator.

Sobre a série, Bruno acredita que ao contar histórias de pessoas diferentes, que se unem para ajudar umas as outras, passando por cima das barreiras, Sense8 consegue tocar em pontos importantes. “Não sei se quebram por completo [os preconceitos], mas, definitivamente, ajudam a jogar luz sobre o tema. Acho a série necessária e atribuo o grande sucesso à forma corajosa como as Wachowskis contaram cada uma daquelas histórias, enfrentando tabus de forma audaciosa, com bom gosto e respeito”.

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“No final das contas, elas focaram no que é realmente importante: a humanidade, a compreensão e união de cada um daqueles personagens”, continua. “Quando o público entende quem são aquelas pessoas e todas as suas dores, que são praticamente as mesmas para todos nós como seres humanos, a orientação sexual fica quase irrelevante. Precisamos olhar para dentro, para o que realmente importa”.

Questionado sobre uma possível carreira internacional, Bruno se diz aberto às várias possibilidades da profissão. “Sou um ator, com orgulho. Quero tudo que minha profissão puder me oferecer e me esforço diariamente para não parar tão cedo. Não sei aonde este investimento vai me levar, mas estou preparado e disposto a dar passos largos. Aqui ou mundo a fora.”

Com informações do UOL.

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