Vinicius Silvino tem 25 anos, é homossexual e soropositivo, e convive com os olhares de julgamento diariamente, mas tem direcionado suas forças para lutar e se reinventar, usando a música como um meio de libertação e empoderamento.

Através do projeto Húmus, um EP  de cinco música, que está em fase de produção e deverá ser lançado na segunda quinzena de maio, ele canta suas histórias  e a de pessoas que assim como ele, procuram o respeito e a dignidade. “O projeto chama Húmus. Húmus é um reduto orgânico. Adubo. Resíduo que apodrece, mas alimenta, ao tornar o solo mais fértil. O que eu trago nas letras é isso”.

“Tentam a todo tempo, quando você é um LGBT ou uma pessoa que vive com HIV, ou vive dentro de qualquer questão que fuja de uma norma, dizer que você é errado. Que você não presta”, diz o jovem, que nasceu em Santos, e hoje vive em São Vicente, cidade em que reside com a mãe, e que encontrou abrigo.

Um dia depois de completar 24 anos descobriu que havia contraído o vírus HIV. “O primeiro momento é complicado. Até você ter uma compreensão de como o seu organismo está levam semanas. E essas semanas são complicadas. Levam a uma reflexão muito profunda”, disse.

Foi então, que sua paixão pela música ressurgiu. “Sempre gostei de música e rascunhei melodias. Não fazia nada com aquilo. Eu pensava muito nessas semanas. Como, Deus? Eu não posso desembarcar agora. Eu tenho coisas a propor, coisas que quero falar, que quero ler, filmes que quero ver”.

Mesmo enfrentando pressão familiar para não assumir publicamente o vírus, Vinicius afirma que aceitou o desafio porque acreditava que poderia contribuir para desmistificar o preconceito que as pessoas têm do HIV. “A expectativa de vida hoje de uma pessoa que vive com HIV é praticamente a mesma de uma pessoa negativa. Mas existe um ‘monstro’ social. Viver com HIV é você não existir. Você socialmente não existe. Existe até o momento que a pessoa não sabe”.

“Senti a mesma pressão quando assumi a minha orientação sexual. Aquele velho discurso de que ninguém precisa saber. Se o diabético fala normalmente sobre a questão dele, por que quem tem HIV não? Eu me torno menor enquanto ser humano, enquanto pessoa, por ter  o vírus do HIV? Em nada. Deveria ser um assunto do cotidiano”, afirmou.

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O músico afirma que o diálogo é a melhor forma para lidar com o preconceito. “O maior sonho de uma pessoa que vive nessa condição é a cura biológica, isso não está ao meu alcance, mas a cura social está ao alcance de qualquer pessoa. Toda pessoa é capaz de fomentar e possibilitar que exista uma cura social, que é possibilitar que as pessoas que vivem com Aids existam”, destacou.

Ele faz parte dos milhares de jovens que receberam o diagnóstico do HIV nos últimos anos no Brasil, que vive uma nova epidemia do vírus desde o início da década de 80. “No meio do pico de epidemia temos a informação de que a orientação sexual e identidade de gênero foi retirada da base nacional comum curricular. Falam muito de comportamento de risco, de grupos de risco, mas não se fala de uma sociedade de risco. De uma sociedade onde jovens estão se infectando. Joga a questão para as pessoas, mas não se faz uma reflexão social”, disse Silvino.

Assista ao clipe de Olhos Amarelos, primeira música de trabalho de Vinicius Silvino:

Com informações de Diário do Litoral.

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