O novo drama da Netflix sobre amor gay, que estreou este mês, teve de ser filmado inteiramente em segredo para evitar a censura do país. Loev é um filme indiano do diretor Sudhanshu Saria, e conta a história de dois amigos, o empresário de Wall Street Jai (Shiv Pandit) e o produtor musical de Mumbai Sahil (Dhruv Ganesh), que em meio a uma uma viagem de estrada se deparam com um sentimento até então, inesperado.

Segundo a lei indiana, a homossexualidade ainda é um crime punível com prisão perpétua, o que obrigou o diretor a fazer todo o  filme em segredo. Loev não é um filme político, é uma história de amor simples sobre um amor incomum. Mas o ato de fazer este filme foi um ato político pelas razões em que ele foi feito”, disse Saria.

Em 2013, a Suprema Corte passou a criminalizar todas as atividades sexuais consideradas “contra a ordem da natureza”, incluindo a homossexualidade. “Há três anos, o mais alto tribunal da Índia aprovou a emenda 377 para declarar a homossexualidade punível com prisão perpétua e fazer criminosos de milhões de cidadãos”, explica o diretor.

“Por extensão, o tribunal tornou muito fácil qualquer trabalho cinematográfico endossando ou retratando este amor ser censurado, obstruído e banido. Foi neste ambiente que eu escrevi o roteiro e foi nessa Índia que nossos atores, técnicos, investidores e apoiadores se uniram para fazer este filme, trabalhando em sigilo absoluto e, em muitos casos, livre de custos”.

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A Netflix adquiriu direitos mundiais para o romance LGBT indiano, disponível em streaming na plataforma agora. “Eu não acho que seria possível lançar ou financiar um filme como este”, conta Saria. “Isso fala do gosto da Netflix e da maneira como eles capacitam os cineastas a falarem contra as sociedades opressivas e os sistemas de censura arcanos como o que temos na Índia”.

Loev marca a estreia de Saria como um diretor, e foi apresentado pela primeira vez no Tallinn Black Nights Film Festival, Estônia, em 2015, e foi também muito bem recebido pelos críticos, chegando a ganhar o prêmio de melhor longa-metragem no Tel Aviv Festival Internacional de LGBT em 2016.

Veja o trailer abaixo:

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