Em entrevista ao O GLOBO, a cantora norte-americana Beth Ditto falou sobre feminismo, a industria musical e o lançamento do novo disco Fake Sugar, seu primeiro trabalho solo depois de 16 anos à frente da banda indie Gossip,

“Este trabalho só não é Gossip porque Nathan (Paine, baixista da banda) se mudou para o Arkansas e não consegui compor mais com ele. Mas é exatamente o que eu faria se estivéssemos juntos. Não tem como ser muito diferente. Gossip é a minha vida”, contou a artista.

Depois de cinco anos do último disco do Gossip, A joyful noise, lançado em 2012, Ditto revela que consegue perceber o mundo de uma nova forma. Casada com Kristin Ogata (sua ex-assistente) desde 2013, a cantora diz que sempre questionou os padrões e estereótipos de beleza e moda, e que até se tornar uma referência, teve de passar por enormes barreiras.

“Quando você é gorda, mulher e gay, precisa lutar muito para conquistar as coisas, tanto na indústria da música como na vida pessoal. E nessa luta você acaba deixando algumas coisas desagradáveis passarem, fingindo que não está vendo. Não percebia isso tão claramente quando era mais jovem”, conta.

O estilista Jean Paul Gaultier conseguiu enxergar todo o potencial de Ditto, que extrapolava o talento nos palcos e transbordava de mensagem. Ela chegou a fazer alguns desfiles com ele, que veio a assinar seu vestido de noiva anos depois. Marcas de maquiagem e revistas de moda também aproveitaram o boom de Ditto para editoriais e campanhas.

“Eu amo moda, abuso de cores. É tudo diversão para mim — define, lembrando que descontinuou sua marca de roupas, mas poderá retomar o projeto a qualquer momento. — Tudo o que envolve um processo criativo me interessa, e a moda está nessa lista”, contou.

Ditto ainda falou sobre o fato do feminismo ter se tornado um tema recorrente nas entrevistas que ela dá hoje, e lembra que sempre falou sobre o empoderamento feminino em toda a sua carreira e músicas. “Eu adoro o fato de que esses assuntos estão sendo mais discutidos. Entendo que os ativistas fiquem com um pouco de receio quando tais coisas caem no mainstream”, conta.

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“O medo é de que a mensagem por trás do ativismo seja desvirtuada, fique fora de controle. Mas nós nunca poderemos ter controle sobre as coisas, isto é uma ilusão. E as revoluções só acontecem quando um número maior de pessoas se mobiliza por uma mudança. Não vou me importar se minha sobrinha, que ama a Katy Perry, usar uma das camisetas feministas que ela usa de vez em quando. O importante é que a minha sobrinha está pensando a respeito desses assuntos”, conclui.

Aos 36 anos, Ditto define seu novo trabalho como uma viagem ao tempo. “Este disco é a respeito de nostalgia do começo ao fim. É como se eu pudesse olhar para minha infância e juventude com outras lentes, capazes de entender melhor o que passei”.

Confira o clipe de Fire, faixa do disco Fake Sugar.

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