O estudante de Direito, Diógenes Dantas, do Centro Universitário de João Pessoa (UNIPÊ), usou as redes sociais para denunciar os abusos e homofobia praticada por um professor. Segundo o jovem, o docente Alírio Batista, titular da cadeira de Medicina Legal trata, em suas aulas, a homossexualidade como uma “perversão sexual”, e os homossexuais como “aberrações”.

O relato publicado nesta quarta-feira (28), dia do orgulho LGBT, vem recebendo uma série de comentários que confirmam a atitude do professor e asseguram que a universidade nunca fez nada para punir ou evitar o comportamento, sendo inclusive, displicente e conivente, pois haveria mais de 10 denúncias de assédio e homofobia contra o professor na ouvidoria da instituição.

Mesmo sendo confrontado em sala de aula, sobre o conteúdo da disciplina estar atrasado em 20 anos, visto que a homossexualidade não é mais considerada uma doença, o professor teria deixado claro que continuaria a propagar seu posicionamento, e nunca pareceu se importar com as reclamações.

“A apresentação do professor no primeiro dia de aula foi nos seguintes termos: ‘meu nome é Alírio Batista, e vocês precisam decorar o meu nome quando forem me denunciar”, contou o aluno.

No material que é distribuído pelo professor, a homossexualidade é tratada como “desvio de conduta”, “aberração” e “pederastia”. “Confesso que me faltam palavras para descrever o que senti ao enfrentar o peso do julgo dos outros alunos, que, abismados com o ocorrido, me dirigiam olhares aflitos, como se esperassem uma atitude da minha parte frente à sumaria redução da minha condição humana para uma mera ‘aberração'”, conta Diógenes.

“Eu não sabia o que fazer, e a única atitude que enxerguei foi me retirar da sala de aula. Na próxima aula, meus colegas de turma comentaram que o professor, em sala, endossou ainda a discussão de que a origem de tal ‘doença’ seria ‘safadeza'(sic), mas que não gostaria de estender a conversa, ‘pois essa gente era muito agressiva'”.

Material divulgado pelo professor.

Em reportagem do Jornal da Paraíba, o advogado Alexander Soares, conta que desde 1996, quando era aluno da UNIPÊ, o professor expunha sua visão preconceituosa e recebia reclamações, mas a universidade nunca se posicionou ou tomou qualquer atitude, o que fazia com que os alunos silenciassem sobre o assunto para não sofrer represálias.

Por meio de nota oficial publicada na tarde desta quinta-feira (29), a assessoria do Centro Universitário de João Pessoa informou que iniciará “uma análise interna, seguindo todos os trâmites necessários para questões dessa natureza, inclusive com respeito à ampla defesa por parte do docente”, que já não se encontra mais no quadro ativo de funcionário da instituição.

A publicação de Diógenes já conta com mais de 300 compartilhamentos e comentários que endossam o relato do jovem. Confira na íntegra:

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