O estudante Andrei Apolônio dos Santos havia procurado uma delegacia para registrar o furto de seu celular, em Niterói, Região Metropolitana, na madrugada da última quinta-feira (13), mas acabou com escoriações, hematomas e três dentes quebrados.

Corregedoria Interna da Polícia Civil (Coinpol) está investigando a denúncia de agressão cometida por um agente da instituição contra um jovem de 23 anos, que pode ter motivação homofóbica. O rapaz conta que esteve na 81ª DP (Itaipu), na Região Oceânica de Niterói, para fazer o registro do furto, mas logo ao entrar já foi vítima de xingamentos por parte do policial civil.

“Eu cheguei e ele já começou a agressão com palavras homofóbicas e tapas no pé da orelha, que me deixaram com muito medo”, lembra o jovem.

Um outro agente estava presente, mas segundo o jovem apenas um o agrediu, enquanto o outro assistia a tudo, sem reagir. A única motivação para as agressões, que duraram cerca de uma hora e incluíram ainda socos e apertões no pescoço, que quase o enforcaram, foi sua orientação sexual.

“Ele não quis fazer meu B.O. [Boletim de Ocorrência] e ficou muito invocado com meu estilo de ser. Dava para ver que ele estava incomodado com quem eu era, porque eu sou gay. Ele achou uma afronta eu ser um gay e querer fazer ele trabalhar às 4h da manhã”, afirma o estudante, acrescentando que ainda ouviu ameaças ao ser liberado.

“O agressor falou ‘Que bom, eu espero que você seja esperto, porque eu seria muito capaz de gastar todo um pente de munição em você'”, relembrou.

Andrei procurou a Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal de Niterói, onde recebeu apoio para ir à Coinpol e à Corregedoria Geral Unificada da Secretaria de Estado de Segurança, onde a ocorrência foi registrada. Para Benny Briolli, assessora da comissão niteroiense, o jovem foi torturado.

Na manhã desta segunda-feira (17), ele passou por um exame da arcada dentária no Instituto Médico-Legal ( IML), no Centro do Rio. Desde que as agressões aconteceram, ele está com medo de voltar para casa e sofrer represálias por ter denunciado o caso. Andrei está sendo amparado por uma ONG da cidade.

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“Minha mãe sabe o que aconteceu. Eu tenho medo de voltar para casa e colocar em risco a vida dos meus familiares. Não estou com a minha família por medo”, explicou Andrei, que teve que sair de casa e está sendo mantido em um local reservado por medo de ameaças.

Felipe Carvalho, presidente do Grupo Diversidade Niterói, que está dando suporte ao jovem, conta que os casos de reclamação no atendimento em delegacias não são raros.

Com informações do G1/ Foto de capa: Cristina Boeckel / G1)

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