O Santuário São Judas Tadeu, na região Nordeste de Belo Horizonte vem realizando um trabalho diferenciado de inclusão às pessoas LGBT, através da Pastoral da  Diversidade Sexual. O intuito do grupo é dialogar sobre as temáticas relacionadas à sexualidade e religião, de uma maneira leve, honesta, afim de acabar com o preconceito e a ignorância dentro da Igreja.

Criada em agosto do ano passado, a Pastoral da Diversidade começou a receber mais famílias homoafetivas em seus encontros nos últimos meses de 2016. “Vim sem acreditar, achando que era balela, e me apaixonei. Fiquei muito feliz porque eu pude voltar a frequentar a igreja sendo quem eu sou, não precisava me esconder mais, podendo apresentar meu marido, a pessoa que eu amo”, contou o gestor de compras Douglas Pedroso.

Ele sempre foi envolvido com a comunidade católica, mas estava afastado das missas há três anos. Lia a Bíblia escondido em casa, pensando ser pecado. “Me fez ser uma nova pessoa poder comungar sem ter o peso da culpa, que a Igreja e a população colocava em cima da gente, dizendo que ser homossexual é errado”, contou.

O que o Santuário quer é exatamente apresentar um ambiente onde essas pessoas possam ser “curadas” do preconceito e da exclusão, e que possam se sentir bem, felizes e aceitas como são, explica o padre Marcus Aurélio Mareano. “Sem absurdos de propor cura gay, que não existe; nós propomos o Evangelho, cujo conteúdo é o amor de Deus, e é nessa experiência de amor, de convivência fraterna, de partilha, de confiança mútua que o grupo vai crescendo”.

A mensagem é amar

A ideia do padre veio após o pronunciamento do papa Francisco, no ano passado, onde afirmou que os cristãos deveriam pedir desculpas pela forma como tratam os homossexuais, que não devem ser discriminados, mas respeitados e acompanhados pastoralmente. “Quem somos nós para julgá-los?”, falou o papa.

Igreja Católica“A exclusão dos homossexuais nasce da incompreensão do que eles são; muitos relacionam homossexualidade com promiscuidade e, cada vez mais, a ciência mostra que não se trata disso. A experiência dessas pessoas é de que não se escolhe, se nasce assim, se descobre, se percebe, então, nós podemos concluir que Deus as fez assim, e nossa missão é a de acolher”, afirmou o padre Marcus Mareano (foto ao lado).

As portas se abriram, então, na arquidiocese da capital mineira, e a proposta da Pastoral da Diversidade foi abraçada pelo pároco responsável pela São Judas Tadeu, padre Aureo Nogueira de Freitas, e está seguindo firme há um ano para “mostrar essa nova postura do papa, para que as pessoas percam o medo de Deus e da Igreja”, destacou Mareano.

Para conhecer

Como é. A Pastoral da Diversidade funciona como a de Jovens, de Crianças, da Música e qualquer outra. A programação é divulgada nas missas e nos canais da igreja São Judas Tadeu. Neste semestre, eles vão criar um blog.

Missa. Em um domingo por mês, é o grupo da diversidade que organiza a missa, assume as leituras bíblicas, faz as preces, entra na procissão, e muitos homossexuais participam. A próxima será em 30 de julho.

Jesus. O padre Marcus Mareano narra que Jesus optava pelos excluídos – prostitutas, cobradores de impostos e os mais pobres –, e era mal-afamado por isso. “Devemos seguir o exemplo de Jesus, pensando na sociedade atual”, disse ele.

Enfrentando a intolerância

Nordestino, de 33 anos, filósofo e mestre em teologia, Mareano coloca música não religiosa nas missas e, por vezes, precisa tomar cuidado para não dar um passo maior do que as pernas. Ele quer que a Pastoral da Diversidade Sexual seja expandida para outras paróquias, e suas ideias são vistas como ‘ousadia’ por muitos setores conservadores dentro da Igreja.

Mas ele segue firme no seu compromisso. “Quantas mães sofrem dramas porque um filho se assume homossexual, e elas ficam carregando essa culpa consigo: ‘onde foi que eu errei?’; e uma pessoa que se descobre assim, fica se culpando: ‘porque Deus me fez assim?’; mas o caminho é: toda pessoa é imagem e semelhança de Deus, nasceu para o amor e se realiza amando”, finaliza.

Com informações de O Tempo.

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