“Eu gosto muito de gente”. É assim que o artista plástico Luiz Escañuela, explica seu desejo de registrar pessoas, através do hiper-realismo. “Conforme vamos conhecendo mais do mundo acabamos entendendo que falar sobre gente é tentar entender uma gama de relações e de existências muito diferentes”, conta.

Essa vontade de prender o olhar, que começou como um hobby ainda na infância, hoje vem ganhando admiradores e consolidando um trabalho grandioso. “As pessoas mandam textos com interpretações tão incríveis que dá aquela sensação quase literal de que, o trabalho realmente deixa de ser seu quando ele é exposto para as pessoas. Ganha tantas camadas que não pode mais ser visto apenas por um prisma ou uma intenção inicial.”

Suas obras convidam a olhar o comum, o corriqueiro, de uma maneira diferente. Com profundidade e simbolismo. “O hiper-realismo força todo mundo a REver. Pintar hiper-realismo obriga qualquer um a olhar novamente, olhar por mais tempo, porque aquilo parece uma foto mas, no final das contas, não é, e as pessoas gostam de dar uma ‘prova’ aos olhos, gostam de buscar a pincelada, a mão do artista.”

“E, depois dessa parte mais física, podem lançar questionamentos inúmeros sobre o porquê daquilo ter sido escolhido para se trabalhar, ‘por que passar meses numa imagem que poderia ter sido fotografada e impressa em algumas horas?’. É incomodo porque, na prática, todo mundo sabe que o processo poderia ter sido outro, mais rápido e mais fácil, mas ninguém consegue deixar de se seduzir”, explica.

Femea: Óleo sobre tela (1,55 x 1,55). Aproximadamente 100 horas de trabalho.

Um dos quadros de maior repercussão foi o “Fêmea“, que apresenta uma mulher transexual, com uma criança de colo. “Ser, doar, se encaixar como normal, como um corpo normal, uma existência social normal. Sem nenhum ‘mas’, sem justificativa científica utilizada pra negar a felicidade e a potência de existência dos outros. Esse quadro deixa claro o quanto PODER SER é bonito”.

Entre suas referências estão os pintores Omar Ortiz, Eloy Morales, Jeremy Geddes, Istvan Sandorfi, e Beccari, e sua inspiração é a vida real. ”A gente é bombardeado por notícias monstruosas, convive com pessoas que são verdadeiras peças de massa de manobra, sofre na pele o quanto o mundo pode ser retrógrado e filho da puta, e o trabalho vem como explosão”.

Em 2015 ele criou sua página oficial no Facebook, onde compartilhava suas criações, a princípio a primeira série autoral “Símio”, e rapidamente começou a ganhar visibilidade.  No mesmo ano realizou uma exposição, também autoral, no Museu Belas Artes de São Paulo, e em 2016 e 2017 participou da SP-Arte.

Veja abaixo um pouco do trabalho de Luiz Escañuela, e para conhecer mais, siga suas redes sociais: Instagram e Facebook:

 

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