O humorista Paulo Gustavo usou a sua conta no Instagram para falar sobre o ataque homofóbico que o marido, Thales Bretas, e ele sofreram na internet. Um site de notícias mostrou uma foto dos dois juntos, que estavam passando alguns dias nas Maldivas, e os comentários foram assustadores, segundo o ator.

“Essas pessoas deveriam ser presas. É isso, é vida que segue. Essas pessoas vão ser punidas agora ou vão ser punidas pela própria vida delas. Porque essas pessoas, com certeza, se você entrar na casa delas, elas não são felizes. Para vocês que são preconceituosos e estão aí me seguindo: eu ainda vou fazer muita viagem esse ano, vou postar muitas fotos com o Thales, porque eu vou ser viado até o último dia da minha vida e vocês vão ter que respeitar”, disse.

Há três anos, o ator se dizia contra ‘levantar bandeiras’: “Eu não teria problema em falar se sou gay ou se sou hétero. Mas acho que ficar levantando bandeira para esse assunto é que gera o preconceito”; E ainda: “Eu sou contra a Parada Gay, acho que não tem que ter isso. Não existe Parada Hétero. Acho que, com isso, a gente fica valorizando os idiotas. “Os que são preconceituosos devem ser ignorados simplesmente”.

O ator também não falava do seu relacionamento e casou em 2015, depois de uma grande luta dos movimentos LGBTs, que conquistaram o direito em 2011 através do Supremo Tribunal Federal (STF), e dois anos depois, em 2013, no Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Paulo Gustavo talvez seja a representação mais nítida de como um gay passa a perceber sua condição e suas vulnerabilidades, apesar dos privilégios. Antes, ele não via motivo em se definir como gay e, como de praxe, se protegia no adaptável e confortável guarda-chuva do “sou humano”, que é bem mais “agradável” ao mundo externo e com bem menos estigmas a serem carregados e quebrados.

Agora, em 2017,  depois de quase três anos de seu casamento, percebe que ninguém deve ser violentado por sua orientação sexual. Por que não é o beijo, nem a troca de carinho, é nossa existência. Antes das Paradas da Diversidade e do Orgulho, do beijo livre e publico, já nos matavam e hoje, em 2017 não dá para ignorar as estatísticas: a cada 25h um LGBTs sofre violência nesse país, segundo relatórios do Grupo Gay da Bahia (GGB).

Nos odeiam por sermos quem somos, até mesmo quem tem certa segurança de privilégios. Ao Paulo, bem vindo à viadagem fora do armário fumê!  A luta é nossa!

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