Duas estudantes, de 21 anos, sofreram um ataque homofóbico na noite da última terça-feira (22), em Santos, no litoral de São Paulo. As imagens, que repercutiram na internet, mostram uma mulher dizendo não ser “obrigada a gostar de sapatão” acompanhada por um homem que, segundo testemunhas, reiterou a fala da mulher dizendo: “Voto no Bolsonaro”.

O incidente ocorreu na Avenida Floriano Peixoto, no bairro Gonzaga, entre lojas de departamento e um shopping. “A minha namorada foi parar o carro e esse casal, em outro veículo, na frente, começou a buzinar. Cabiam os dois carros nas vagas e não entendemos o motivo daquilo tudo”, relata uma das jovens.

Após estacionarem os veículos, as estudantes relatam que o condutor, que antes buzinava, foi intimidá-las. “Ele chegou para a minha namorada e disse: ‘Você é bem folgada’. Daí, eu saí do carro perguntando o que estava acontecendo. Foi quando eu ouvi: ‘Chegou a namorada para te defender’”, afirma.

Com todos fora dos carros, a discussão começou. Os dois casais trocaram provocações, até que as meninas ouviram a mulher dizendo que “não era obrigada a aguentar essa raça”, e pediu para o marido “deixar essa sapatão”, para evitar alguma confusão maior. “Ele dizia para a gente: ‘Eu sou homofóbico’”, conta.

Diante da situação, a estudante começou a gravar o conflito pelo celular. “Eu queria que eles dissessem o que já tinham falado. Por isso, fui atrás e pedi para que eles repetissem. E aconteceu”, conta. “Não sou obrigada a gostar de sapatão”, fala a mulher no vídeo. “Voto no Bolsonaro”, finaliza o marido dela.

Depois do ocorrido, a jovem postou um desabafo em uma rede social, que viralizou rapidamente. A intenção, segundo ela, que não esperava tanta repercussão, era poder “mostrar para os conhecidos que isso [homofobia] realmente acontece” nas ruas.

“[Depois que tudo passou], eu sinto bastante revolta. O que é mais triste é que eu não me sinto surpresa. A gente sofre com isso [homofobia] sempre, mas foi a primeira vez com um casal mais velho, de senhores. Todas as vezes a gente deixa passar batido, mas agora foi diferente”, define a estudante.

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As duas estão namorando há mais de um ano. “Eu fico triste e decepcionada. A gente está na rua, ou algum lugar, já ouve esse tipo de coisa. A gente passa por essas coisas direto, infelizmente. Às vezes, a gente até vai preparada, sabendo que vai acontecer. Dessa vez, surpreendeu”, complementou a namorada.

As jovens, que pediram para ter as identidades preservadas, ainda discutem se vão registrar um boletim de ocorrência na Polícia Civil sobre o episódio. Elas estão sendo assistidas por uma advogada sobre como proceder.

Assista ao vídeo registrado pelo casal:

Via: Revista Fórum.

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