O projeto Micro Rainbow Brasil é um curso de empreendedorismo que ajuda a transformar talentos em negócios, e é exclusivo para pessoas LGBT. O curso possui versões na Inglaterra e no Camboja. Aqui no Brasil teve início em 2015 e já atendeu 164 pessoas no Rio de Janeiro.

Dessas, 81 se formaram no curso de empreendedorismo e 46 concluíram cursos de qualificação profissional nas áreas de gastronomia, hotelaria e moda. Com isso, 53 empreendedores LGBT abriram ou expandiram seus negócios.

“Minha vida já começou a mudar desde o momento que pisei no projeto Micro Rainbow. Tive várias oportunidades abertas. Foi o projeto que mais fez coisas boas acontecerem na minha vida. Me tirou de um caminho sem rumo. E mostrou que podemos acreditar em nós mesmos”, conta a doceira Mell Brígida, transexual de 35 anos, que desenvolveu o projeto para o seu “Pães de Mell”.

O projeto ensina em oito semana como montar um plano de negócios. “Essa população é muito discriminada no mercado de trabalho, tanto no acesso, quanto na permanência. As pessoas LGBT de baixa renda sofrem ainda mais”, conta Lucas Paoli Itaborahy, representante da ONG no Brasil.

Neste mês, o projeto irá formar uma nova turma na Lapa e a formatura marcará o lançamento do livro Empreendedorismo LGBT: histórias de empoderamento socioeconômico no Rio de Janeiro entre 2015-2017, que conta histórias de quem já foi atendido pelo Micro Rainbow, como o Ruan Félix, de 26 anos, que abriu o Mr. Carrot, primeiro delivery vegano no subúrbio do Rio.

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No cardápio há opções como feijoada, strogonoff, bobó e salpicão. Todos sem nenhum produto animal.  “A feijoada a gente faz com legumes e embutidos veganos. Já o strogonoff, tem grão de bico no lugar da carne e creme de leite de aveia”, diz Ruan, que se surpreendeu com a demanda desse tipo de comida no subúrbio.

“Não trabalhamos só pelo dinheiro. Acreditamos nessa causa que é o veganismo. Por isso, estamos muito felizes em apresentar esse tipo de comida para essa região” conta.

“O empreendedorismo é uma alternativa para as pessoas não terem que ficar dependendo desse mercado preconceito e estigmatizante”, afirma Itaborahy. “O mercado de trabalho é dominado pelos héteros. A gente já começa atrás. Por isso, esse curso é importante”, comenta o cozinheiro do Mr. Carrot, Vicente de Carvalho.

Com informações do Extra | Foto de capa: Leo Martins/Agência O Globo

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