De acordo com a Polícia local, vinte pessoas foram presas neste sábado no arquipélago de Zanzibar, região semi-autônoma sob controle do governo da Tanzânia. Os presos são acusados de serem homossexuais, o que é crime no país, e tem punição de até 30 anos de reclusão.

Ao todo, 12 mulheres e oito homens foram presos. Eles estavam em um hotel, onde participavam de um treinamento sobre a prevenção ao HIV/Aids.

No começo do ano, o governo da Tanzânia proibiu que clínicas privadas oferecessem tratamento para o HIV/Aids. A alegação era de que o serviço encorajava o sexo gay.

“Eles estão envolvidos em práticas homossexuais. Nós os prendemos e estamos ocupados interrogando-os neste momento. A polícia não pode fazer vista grossa para esta prática”, disse ontem à TV estatal do país o chefe da polícia local, Hassan Ali Nasri.

Na última sexta-feira, um dirigente do Ministério da Saúde local prometeu ao Congresso do país “lutar com todas as nossas forças contra os grupos que promovem a homossexualidade”, segundo a agência AFP.

No ano passado, o governo passou a banir a importação e as vendas de lubrificantes sexuais. O ministro da Saúde disse à época que este tipo de produto encorajava a prática homossexual e, portanto, disseminava o vírus do HIV.

Apesar da proibição, a população da Tanzânia era uma das mais tolerantes com a homossexualidade até recentemente. Isto começou a mudar quando o governo assumiu um discurso anti-gay mais radical, dizem correspondentes estrangeiros no país.

O exemplo da Chechênia

A prisão em massa de homens e mulheres na Tanzânia, por estarem estudando à respeito do HIV/Aids, preocupa a comunidade LGBT em todo o mundo pelo tamanho da intolerância e violência, e traz a tona o medo dos Campos de Concentração, como o que vêm ocorrendo e silenciado na Chechênia.

Em abril deste ano, o jornal Novaya Gazeta, denunciou que autoridades da Chechênia estariam usando campos de concentração para prender e torturar homens gays (Veja mais). De acordo com denúncias de grupos defensores dos direitos humanos, mais de 100 homens gays foram detidos, contando ainda, com o apoio de familiares.

A única resposta do governo checheno foi a negativa, dizendo que seria “impossível prender ou reprimir um tipo de pessoa que não existe na república. Se essas pessoas existissem na Chechênia, as autoridades não precisariam se preocupar com elas, pois seus próprios parentes as mandariam para lugares de onde jamais retornariam.”

O que torna o caso ainda mais chocante é a inercia de outros governos em pressionar ou cobrar qualquer iniciativa da Chechênia, ou mesmo da Rússia, que também vive um estado de constante silenciamento contra os direitos da população LGBT.

Recentemente o presidente Vladimir Putin voltou a se posicionar publicamente contra pessoas LGBT, afirmando que é sua obrigação defender os valores tradicionais e a família, e portanto, é seu dever impedir gays de se casarem.

“O casamento entre pessoas do mesmo sexo não produz nenhuma criança. Deus decidiu, e nós temos que nos preocupar com as taxas de natalidade em nosso país”, disse Putin. “Mas isso não significa que haja perseguições contra qualquer um”, acrescentou.

Com informações da BBC Brasil | Foto de Capa: GETTY IMAGES.

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