No levantamento divulgado em julho pelo Datafolha74% dos brasileiros consideram que a homossexualidade “deve ser aceita por toda a sociedade”. Em 2014, quando havia sido feita a última pesquisa, eram 64%. Os dados mostram a inclinação ideológica da população brasileira e revela que a aceitação de homossexuais está crescendo no Brasil.

Atualmente, 19% dos brasileiros dizem que a homossexualidade “deve ser desencorajada por toda a sociedade”. Há três anos, eram 27%. O Datafolha entrevistou 2.771 pessoas de 21 a 23 de junho.

Esse mesmo levantamento mostra que os brasileiros estão condenando mais a pena de morte como resolução para crimes hediondos. Em 2014, eram 52%; agora, são 55%. A reeducação de adolescentes infratores também teve um aumento para 25%, em 2017, contra 22%, em 2014.

O percentual de favoráveis a punições mais severas para menores, como as infligidas a adultos, caiu de 76% para 73%.

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Apesar do avanço de pensamentos associados às política progressistas, os dados levantados na pesquisa mostram também uma volta ao discurso do armamento. Para 43% dos brasileiros, “possuir arma legalizada deveria ser direito do cidadão”. Em 2014, essa era a crença de 35%.

De acordo com 55% dos entrevistados, a posse de armas deve ser proibida por configurar ameaça à vida. Essa proporção diminuiu bastante: eram 62% três anos atrás.

Homofobia e educação

A pauta sobre a educação pela diversidade no Brasil tem sido a mais atacada pelos movimentos conservadores e corriqueiramente é distorcida por interesses de grupos religiosos no que ficou conhecido como bancada evangélica ou bancada da bíblia no Congresso Nacional.

Como ainda não é tipificada como crime de ódio, a homofobia segue sem um registro específico, ficando a cargo de ONGs contabilizar os casos e promover relatórios nacionais e internacionais. Nesse contexto, a educação é vista por muitos estudiosos, como uma das principais armas contra o preconceito e a discriminação.

Segundo a pesquisa Juventudes na Escola, Sentidos e Buscas, realizada em vários estados do país, um dos principais preconceitos sofridos na escola é a LGBTfobia, em especial a transfobia e a homofobia. “O que percebemos é que esse número é tão alto quanto na primeira pesquisa em 2004″, diz a socióloga Miriam Abramovay, coordenadora da pesquisa.

Mais 8 mil estudantes na faixa de 15 a 29 anos foram ouvidos. Entre os entrevistados, 7,1% não queria ter travestis como colegas de classe. Homossexuais (5,3%), transexuais (4,4%) e transgêneros (2,5%) também aparecem na lista dos rejeitados por parte dos jovens ouvidos na pesquisa.

No total, 19,3% dos alunos de escola pública não gostariam de ter um colega de classe travesti, homossexual, transexual ou transgênero. O grupo só fica atrás de bagunceiros (41,4%) e ‘puxa-saco’ dos professores (27,8%).

A distorção sobre Direitos Humanos

De acordo com o grupo de comunicação Observatório do Terceiro Setor, 50% das pessoas que participaram da pesquisa Direitos Humanos são direitos de todos, realizada no ano passado, não conheciam o conceito dos Direitos Humanos.

Para Joel Scala, idealizador do Observatório, este é um problema que só poderá ser solucionado com políticas públicas nas escolas e universidades, além de uma campanha esclarecedora nos veículos de comunicação. “Nossa sociedade precisa entender que temas como educação, saneamento, saúde, segurança, moradia, tudo faz parte dos direitos humanos.”

Foto: Agência Brasil / Marcello Casal.

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