Nesta semana, o jornal The New York Times fez uma reportagem extensa retratando a enorme contradição que o Brasil vive nos dias de hoje, quanto aos direitos e reconhecimento à população LGBT.

De um lado, uma novela popular traz um personagem transgênero, e pela primeira vez o assunto é debatido nas casas de milhares de brasileiros; de outro lado o número de assassinatos motivados por homofobia e transfobia aumentaram assustadoramente no mesmo ano.

A reportagem cita Pabllo Vittar como uma “proeminente das questões de gênero na cultura pop”, e um “ícone amado entre muitos brasileiros e um emblema de fluidez de gênero”. “A drag queen mais seguida do mundo é brasileira”, observou Pabllo com satisfação . “E ainda assim nós temos esses problemas aqui”.

Sobre as conquistas, o jornal fala sobre a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo em 2013 e o reconhecimento do direito de mudar o nome de uma pessoa e o gênero em alguns documentos de identificação emitidos pelo governo.

Mas ressalta para o clima de instabilidade e a possibilidade de que todo as conquistas sejam reversíveis. “Em um momento em que os políticos conservadores e as igrejas evangélicas que se opõem aos direitos dos homossexuais e transgêneros estão se tornando cada vez mais influentes”.

Veja também:

O jornal norte-americano também fala sobre a candidatura de Jair Bolsonaro à presidência da República. “Um legislador que muitas vezes denigre os homossexuais e diz que permitir que as mulheres transgêneros usem os banheiros das mulheres representa ‘uma inversão de valores'”.

E o escândalo do juiz federal que decidiu recentemente que a chamada terapia de conversão, tratar a homossexualidade deve ser permitida, também foi ressaltada na reportagem colocando em cheque todas as conquistas relacionadas ao desenvolvimento de uma “reputação de políticas sociais inclusivas durante os 13 anos em que foi governado pelo Partido dos Trabalhadores”.

Realidade brasileira

No ano passado, pelo menos 144 pessoas transgêneros morreram no país, de acordo com a Associação Nacional de Travestis e Transsexuais do Brasil, uma organização sem fins lucrativos. Este ano, o grupo identificou 138 assassinatos, incluindo o caso de Dandara dos Santos, uma mulher trans de 42 anos do norte do Brasil, cuja morte fatal e pública em fevereiro por oito homens chocou o mundo, depois de um vídeo do ataque ter sido postado on-line.

Desde 2015, o Brasil está no topo dos países que matam travestis e transgêneros no mundo, mas em 2016 passou a representar o mais perigoso para pessoas lésbicas, gays e bissexuais, também. E neste ano, quebrou o recorde com 277 homicídios, de janeiro a setembro, de acordo com o Grupo Gay da Bahia (GGB).

O que deixa a situação mais complicada no país é a falta de legislação específica para o crime de ódio, como é a homofobia e a transfobia. Além de não ser tipificado, muitas vítimas temem denunciar, pois há inúmeros relatos de delegacias que não prestam o apoio, nem mesmo formalizam os boletins de ocorrência.

Com informações do The New York Times.  | Tradução Renata Brito. | Texto: Theo Borges.

Related Posts

Comentários

Comentário